Recomendo a entrevista que o ex-primeiro ministro português António Guterres, alto comissário para refugiados das Organizações das Nações Unidas (ONU), hoje, em O Globo. Guterres comanda uma verba anual equivalente a R$5,1 bilhões para ajudar 25,2 milhões de refugiados sob a proteção do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR). O valor é, de longe, insuficiente para os desafios que enfrenta.
Na Somália, por exemplo, a organização estima que há 800 mil crianças com desnutrição, 80% com desnutrição aguda. Os campos da ACNUR recebem diariamente cerca de 2 mil somalis chegam diariamente. Há assentamentos, como o de Dolo Ado (na Etiópia), em que 50% das crianças que por lá chegam sofrem de desnutrição aguda e 28%, de desnutrição aguda severa.
Guterres elogia o Brasil. Para ele, é importante reconhecer que hoje o Brasil é um dos países do mundo que têm a legislação mais perfeita em matéria de asilo. “É um país que tem tido uma política muito generosa de acolhimento não apenas dos refugiados que chegam ao país, mas também em reassentamento de refugiados vindos de zonas onde é muito problemática a sua proteção”, afirmou.
Prestígio e equilíbrio
O ex-primeiro ministro português credita ao Brasil – “graças ao prestígio internacional do país e seu reconhecido equilíbrio” – o primeiro reassentamento de palestinos fora do mundo árabe. Antes de serem enviados para cá, eles estavam em situação trágica na fronteira entre o Iraque, a Síria e a Jordânia, conta o alto comissário para refugiados da ONU.
Rio de Janeiro, 07 de Outubro de 2026
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