Rio de Janeiro, 10 de Setembro de 2026

Alta no preço dos imóveis alerta FMI para nova crise mundial

Quinta, 12 de Junho de 2014 às 04:11, por: CdB
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Inebriados por anúncios, jornais e revistas alimentam, entre a sociedade, sensação de que cotações dos imóveis subirão para sempre
O Fundo Monetário Internacional (FMI) apelou hoje à adoção de medidas urgentes para evitar nova crise imobiliária, já que os preços estão acima da média histórica em muitos países, sobretudo em emergentes como as Filipinas, a China e o Brasil. – As ferramentas para conter os preços da habitação ainda estão sendo desenvolvidas, mas isso não é desculpa para a inércia. Os preços das casas em muito países continuam muito acima da média histórica – disse o diretor adjunto do FMI, Min Zhu. A advertência foi feita por Min Zhu em discurso, na semana passada, no Bundesbank (o Banco Central alemão), e que foi publicado nesta quinta-feira, pelo FMI, em seu portal na internet. Para a organização, o aumento do preço dos imóveis a partir de níveis já elevados representa uma das maiores ameaças à estabilidade da economia global. – A habitação é um setor essencial da economia, contudo, também é uma fonte de vulnerabilidades e crises. Portanto, ainda que a recente recuperação dos mercados imobiliários seja um bom passo, devemos permanecer atentos para evitar um novo boom insustentável – observou Min Zhu. Segundo dados do FMI, o preço das habitações tem crescido mais rapidamente em mercados emergentes. São citados como exemplos os casos das Filipinas (com aumentos de 10% em relação ao ano anterior), da China (9%) e do Brasil (7%). Com a recessão global, os bancos centrais reduziram as taxas de juro para mínimos históricos, o que elevou os preços das casas para níveis que, segundo o FMI, representam risco significativo para economias tão distintas como as de Hong Kong ou de Israel. Os preços das habitações estão também acima da sua média histórica em países como a Austrália, Bélgica, o Canadá, Reino Unido, a Noruega e Suécia. Nos países do Sul da Europa mais afetados pela crise verifica-se o cenário contrário: ou seja, queda no preço das habitações. BC não acredita Em recente entrevista à imprensa, o diretor de Fiscalização do Banco Central, Anthero Meirelles, descartou a possibilidade de o Brasil caminhar para uma crise de subprime, semelhante à ocorrida nos Estados Unidos entre 2008 e 2009. – Não há bolha imobiliária no Brasil. Não temos elementos que caracterizem bolha – disse. Segundo o índice FipeZap, o preço anunciado do metro quadrado no Brasil, como um todo, subiu 13,1% em 12 meses encerrados em fevereiro. A pesquisa leva em consideração as ofertas de imóveis em 16 cidades do país. Ainda recentemente, a Caixa Econômica Federal (CEF), maior financiadora brasileira de imóveis, anunciou a projeção de "fornecer R$ 154 bi em crédito imobiliário" neste ano, um aumento de 14,2% em relação a 2013. Nos últimos anos, o banco multiplicou por 28 o volume destinado anualmente para este segmento. Durante a divulgação do último Relatório de Estabilidade Financeira (REF), Meirelles afirmou que no Brasil não existe segunda hipoteca e destacou que mais de 90% dos imóveis são usados para moradia própria. Ele também afirmou que o crédito imobiliário no país, comparado a outras economias, ainda é pequeno. Em uma simulação, o BC observou que se houvesse uma queda de 33% nos preços dos imóveis entre um dia e outro, o sistema não passaria por insolvência. – Esse exercício é um pouco pra mostrar que se houvesse hecatombe dos preços, mesmo assim as instituições financeiras são capazes de absorver também esse choque. O aumento dos preços dos imóveis tem sido compatível com crescimento da renda, não há descolamento – concluiu.
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