A inflação oficial do país, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), foi de 0,48% em março. Esta foi a última das três estatísticas que, juntas, levam a maioria dos analistas financeiros ouvidos pelo Correio do Brasil ao concenso de que haverá um aumento na carga de juros do país, já uma das maiores do mundo, atualmente em 11,25%. Analistas apostam em uma alta de 0,25%, na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), que começa na próxima terça-feira.
O IPCA ficou 0,03% acima da pior previsão, que colocava o teto inflacionário em 0,046%. Outro parâmetro, o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), subiu 0,33% na primeira prévia de abril, após 0,34% em igual período de março, quando a previsão dos analistas chegava a, na média, uma alta de 0,20%.
– Esses números reforçam a tese de que os juros vão subir na semana que vem. Essa previsão aumenta as apostas de um movimento mais agressivo em abril. O dado do IPCA mostra que o BC estava do lado mais correto das previsões quando fez uma avaliação mais pessimista da inflação, que realmente foi forte em março. O IGP-M também veio nessa direção – disse a jornalistas Silvio Campos Neto, economista-chefe do Banco Schahin. Ele é um dos economistas que apontam um aumento de 0,25 ponto percentual na Selic na próxima quarta-feira.
Apesar da alta, o resultado do IPCA ficou um pouco abaixo do de fevereiro (0,49%), apesar dos efeitos do grupo educação terem caído, já que esse havia sido responsável pela alta em fevereiro. Segundo informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta quarta-feira, o resultado de março manteve-se próximo ao do mês anterior, puxado pelas altas nos chamados preços administrados por contrato (água, esgoto, energia elétrica, combustíveis), vestuário e alimentos.
Alimentos
Os alimentos significaram o principal vetor de pressão nos dois índices divulgados nesta manhã. O vilão, desta vez, foram os alimentos in natura e as commodities, como o trigo e a soja. Nesta terça-feira, o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) acelerou para 0,64% na primeira prévia de abril, enquanto analistas de mercado apontavam para uma alta de 0,55%.
Os preços do grupo Alimentos e Bebidas contribuiram com 0,20 ponto percentual do IPCA de março, com as maiores variações vindas do tomate, óleo de soja, ovos, açúcar cristal, feijão preto e pão francês, este último pressionado pela alta no preço internacional do trigo.
Segundo Jankiel Santos, economista-chefe do Bes Investimento, a aceleração da inflação concentrou-se nesses itens e tendem a perder força nos próximos meses, mas advertiu que a reação imediata do mercado não deve ser otimista.
– Alimentação veio muito mais forte. Os preços de serviços até vieram bem, com recuo na variação acumulada em 12 meses, o que é positivo, mas acho que com um resultado tão longe das previsões, o humor do mercado não vai ser bom. Você tem alta concentrada em poucos itens de alimentação, o que é favorável. Logo você terá a regularização da oferta do tomate, por exemplo, então a tendência é cair – afirmou ele.
Varejo
Apesar da alta no IGP-M, com a alta dos preços partindo do varejo e do setor de construção, no atacado a inflação se desacelerou. O Índice de Preços por Atacado (IPA) teve alta de 0,26%, ante avanço de 0,52% na primeira leitura do mês anterior. O IPA agrícola caiu 1,52% no início do mês, após subir 0,34% no começo de março. O IPA industrial, no entanto, destoa com uma acelaração do ritmo de alta, para 0,96%.
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) subiu 0,40%, após uma queda de 0,17% no dado anterior. Novamente, o grupo Alimentação puxou a tendência, com alta de 0,84% na primeira prévia de abril, ante baixa de 0,70% no mês passado. Outro avanço ocorreu no Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), com 0,59% de alta, após a variação positiva d