Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Alta do dólar estimula o plantio da soja, segundo analistas

Sábado, 14 de Março de 2015 às 15:44, por: CdB
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A nova safra projetada pela Conab ficaria acimado esperado por muitos analistas e entidades do setor
A recente alta do dólar estimulou as vendas da soja da nova safra do Brasil, elevando expressivamente os preços em reais, mas ainda não foi capaz de reduzir o atraso da comercialização na comparação com os dois últimos anos, apontaram dados nesta sexta-feira. A comercialização da safra 2014/15 de soja do Brasil chegou a 43% do total esperado, informou a consultoria Safras & Mercado, ante 57% no mesmo estágio da safra 2013/14 e 62% em 2012/13. A defasagem de 14 pontos percentuais ante um ano atrás vem se mantendo praticamente estável desde janeiro, pelo menos. Analistas e produtores têm dito que os negócios estão mais difíceis este ano porque os agricultores, capitalizados por safras lucrativas nos anos recentes, estão esperando melhores preços na bolsa de Chicago. A situação só não está mais lenta devido à desvalorização do real, que torna a conversão da moeda favorável aos exportadores brasileiros. – Na semana, os volumes foram bons... Estava saindo bom volume no spot (mercado à vista), com o dólar realmente ajudando no preço em reais por saca – disse a jornalistas o operador João Schaffer, da corretora Agrinvest Commodities, de Curitiba. Negócios foram fechados nesta sexta-feira no porto de Paranaguá a 71 reais por saca, ante R$ 68 na semana passada, disse Schaffer. A moeda norte-americana chegou a tocar máxima de R$ 3,28 nesta sexta-feira e acumula alta de cerca de mais de 22% em 2015. O câmbio ajudou a evitar maiores problemas para os produtores brasileiros. Enquanto os preços da soja na bolsa de Chicago, em dólar, acumulam perdas de 32% nos últimos 12 meses, os valores em reais caíram apenas 10%, segundo cálculo da consultoria AGR Brasil. Segundo o analista Luiz Fernando Gutierrez Roque, da Safras, a comercialização da safra 2014/15 não conseguirá alcançar o ritmo de 2013/14 nos próximos meses, mesmo com a ajuda do dólar, porque na temporada passada as vendas começaram muito aceleradas, enquanto nesta, iniciaram bastante travadas. – Na época da colheita do ano passado, as vendas se aceleraram muito. A velocidade do ano passado se baseou num preço mais alto de Chicago. Apesar de ter acelerado nesse último mês, não se conseguiu buscar essa diferença – disse o especialista. Em Mato Grosso, principal Estado produtor, por exemplo, o total já comercializado chega a 58% da safra estimada, contra 67% no ano passado e 73% da média. Problemas climáticos em Goiás e Minas Gerais desaceleraram o ímpeto de vendas dos produtores, que se mostraram receosos em fechar negócios sem a certeza do volume a ser colhido, disse Roque. A defasagem da comercialização em Goiás nesta safra na comparação com a anterior, por exemplo, subiu para 21 pontos percentuais em março, contra 12 em janeiro. – O ritmo poderia ter aumentado mais, se não houvesse esses problemas – disse Roque.
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