Rio de Janeiro, 25 de Março de 2026

Alonso cita Schumacher e prega cautela

Segunda, 09 de Outubro de 2006 às 07:05, por: CdB

Apesar da vantagem confortável na tabela, da falta de antecedentes e dos 98,6% de chances de conquistar o bicampeonato dentro de duas semanas, Fernando Alonso evitou em Suzuka qualquer espécie de euforia, de comemoração antecipada.

Com o Mundial de Pilotos comprometido, o consolo da Ferrari na despedida de Michael Schumacher seria o título de Construtores.

Segundo o alemão, será esse seu objetivo na corrida de Interlagos. Apesar da quebra de motor em momento crítico, o alemão poupou a escuderia de qualquer crítica.

E usava a infelicidade alheia como principal argumento para sua posição.

- A mesma coisa que aconteceu com o Schumacher pode acontecer comigo. Você nunca sabe o que pode acontecer. Primeiro, tem que terminar a corrida. Só depois, olhar para o campeonato.

Seu histórico recente também recomenda um quê de cautela. Das últimas cinco etapas, o espanhol abandonou duas. Na Hungria foi vítima de uma porca mal apertada que mandou uma roda pelos ares. Na Itália, deixou a prova com problema idêntico ao do alemão ontem: motor estourado.

- Ainda é um pouco cedo para entender o que houve aqui. Certamente estamos numa posição muito melhor do que antes porque precisávamos bater Schumacher, bater a Ferrari e isso tudo trouxe muita pressão para este final de semana - afirmou Alonso.

- As coisas estão mais fáceis, mas às vezes você não termina um GP por acidente, por falha mecânica, por má sorte... Às vezes você põe uma roda na grama... Então vamos nos concentrar.

O histórico mais antigo, porém, está ao lado do espanhol. Nunca na F-1 um piloto conseguiu tirar uma desvantagem de dez pontos e virar o campeonato na última etapa. E nunca Schumacher venceu um título de virada.

Se manteve uma postura contida nas entrevistas no paddock, Alonso não conseguiu se segurar nos momentos decisivos da prova. Assim que superou Schumacher, o espanhol fechou o pulso e deu um pequeno soco no ar. E quando parou o carro sob o pódio, foi à loucura na vibração com a escuderia.

Primeiro, subiu no carro e dobrou uma das pernas, num gesto combinado com os amigos.

- Imitei uma fênix, explicou, referindo-se à ave mitológica que renasce das cinzas. Depois, pulou as grades que os separavam dos companheiros de Renault e correu para abraçá-los.

Não houve como se segurar. O sangue espanhol falava mais alto. Gritava.

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