Rio de Janeiro, 12 de Setembro de 2026

Almirante defende projetos nucleares brasileiros

Quinta, 08 de Abril de 2004 às 09:41, por: CdB

O comandante da Marinha, almirante Roberto Guimarães de Carvalho, reafirmou nesta quinta-feira o programa nuclear desenvolvido pelo Brasil e assegurou que "não há motivo para polêmica" porque todos os projetos desenvolvidos pelo País têm fins pacíficos.

- O Brasil é signatário de todos os acordos de não proliferação de armas nucleares e está na nossa Constituição que pesquisa nuclear só pode ser feita com fins pacíficos - afirmou o almirante.

Segundo o almirante, a Marinha "é a única instituição militar do mundo que trabalha na área nuclear que é inspecionada e cujas inspeções ocorrem de forma programadas e inopinadas". O comandante explicou ainda que o que os inspetores podem ver quando visitam as instalações da força "é a quantidade de urânio que entra e que sai da máquina", verificando que nada foi desviado.

- Eles não precisam ver a máquina que faz o enriquecimento de urânio - salientou o comandante, ao explicar que quando os observadores vão fazer a fiscalização eles encontram as máquinas protegidas por um painel de madeira, onde se vê o início e o fim do processo.

Embora o almirante não tenha citado mas é exatamente assim que os inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica encontraram a planta de enriquecimento de urânio quando foram pela última vez a Resende (RJ), fábrica onde são produzidas as pastilhas que abastecem as usinas nucleares de Angra 1 e 2. A polêmica ressurgiu, depois de ter tomado conta dos jornais no final do ano passado, por causa de uma nova publicação, agora no jornal The Washington Post, que fala da resistência do Brasil a inspeções mais intrusivas da agência na planta de urânio de Resende.

A Marinha é a força armada que tem o programa mais desenvolvido nessa área. Em Iperó (SP), o Centro Tecnológico da Marinha comanda um trabalho de capacitação tecnológica do Brasil para construção e operação de reatores nucleares de baixa potência, que também poderão ser empregados, no futuro, na propulsão do submarino nuclear brasileiro, caso esta seja a decisão política do governo brasileiro.

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