Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Allawi insiste que eleições ajudarão a restabeler segurança

Quinta, 06 de Janeiro de 2005 às 14:20, por: CdB

O primeiro-ministro iraquiano, Iyad Allawi, insistiu nesta quinta-feira que as eleições de 30 de janeiro ajudarão no restabelecimento da segurança no Iraque, e se comprometeu a elevar a capacidade do exército para eliminar a insurgência.

Allawi também incentivou todas as etnias iraquianas a participarem das eleições, em alusão sobretudo à minoria sunita que deve boicotar o processo eleitoral devido à crescente violência que só nesta semana matou mais de cem pessoas.

- As eleições terão um papel essencial em favor da estabilidade e capacitarão o novo governo a realizar sua missão - disse Allawi em uma mensagem ao povo, em ocasião do 84o. aniversário das Forças Armadas iraquianas.

O premier insinuou que seu Executivo adotará novas medidas para enfrentar as ameaças dos grupos insurgentes ao processo eleitoral, e afirmou que os soldados iraquianos "aparecerão pela primeira vez na próxima semana com seus tanques e blindados pelas ruas".

O exército iraquiano, criado em 1921, foi dissolvido em meados de 2003 pelo então administrador civil do Iraque, o americano Paul Bremer, poucos meses depois da queda do regime de Saddam Hussein.

Em junho de 2004 foi anunciada a fundação de um novo exército com a ajuda dos Estados Unidos e outros países da coalizão.

O primeiro-ministro iraquiano também afirmou que os 40 mil efetivos do corpo da Guarda Nacional, criado ano passado para ajudar a polícia em sua luta contra a resistência, já se incorporaram ao exército, e que a partir de hoje ficarão subordinados ao Ministério da Defesa iraquiana.

- Aumentaremos o número das forças capacitadas para que possam derrotar de forma acachapante e definitiva - os insurgentes, afirmou Allawi em sua mensagem ao povo, transmitida pela rádio oficial iraquiana.

Suas declarações foram feitas pouco depois que um comunicado do governo interino anunciou a prorrogação por mais 30 dias da Lei de Emergência para permitir às forças de segurança liberdade de movimento em sua luta contra a insurgência.

Essa lei foi aplicada em novembro para um período de 60 dias, depois do início da ampla ofensiva militar das forças iraquianas e americanas contra a cidade de Faluja (ao oeste de Bagdá), até então o principal pilar da insurgência.

A lei permite adotar medidas excepcionais para restabelecer a segurança, como a imposição do toque de recolher em diversas partes do Iraque ou a detenção sem procedimentos legais de pessoas suspeitas de participar de atividades da resistência.

Vários responsáveis iraquianos e americanos admitem que a violência aumentará no país com a aproximação das eleições.

Allawi já deixou claro na quarta-feira que a data escolhida para as eleições não será modificada, decisão que conta com o apoio dos EUA e da maioria dos vizinhos do Iraque que hoje se reúnem em Amã para discutir as condições que devem prevalecer para que o pleito seja "limpo e transparente".

Enquanto isso, pelo menos dez pessoas, inclusive uma soldado americano e quatro efetivos da Guarda Nacional, morreram hoje em operações da insurgência em diferentes cidades iraquianas.
O último ataque ocorreu esta tarde no oeste de Bagdá, onde homens armados dispararam e mataram um tradutor iraquiano que trabalhava com as tropas dos EUA.

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