Rio de Janeiro, 04 de Novembro de 2026

Alimentos fizeram inflação acelerar ao longo do ano passado

A inflação ao consumidor brasileiro acelerou no ano passado pela primeira vez desde 2003, em razão de um salto nos custos de alimentos resultante de fatores externos e internos de demanda e oferta. Em 2008, a composição da inflação deve mudar, o que garantirá uma taxa inferior, mas muito próxima à do ano passado segundo analistas de mercado. (Leia Mais)

Sexta, 11 de Janeiro de 2008 às 09:34, por: CdB

A inflação ao consumidor brasileiro acelerou no ano passado pela primeira vez desde 2003, em razão de um salto nos custos de alimentos resultante de fatores externos e internos de demanda e oferta. Em 2008, a composição da inflação deve mudar, o que garantirá uma taxa inferior, mas muito próxima à do ano passado segundo analistas de mercado. Enquanto os alimentos tendem a desacelerar a alta, os administrados, como tarifas, devem subir mais.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 4,46% em 2007, ante alta de 3,14% em 2006, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na sexta-feira. A taxa do ano ficou ligeiramente abaixo do centro da meta de inflação do ano, de 4,5%. A meta tem tolerância de 2 pontos percentuais para cima ou para baixo.

- Veio em linha com o que imaginava, com muito peso de alimentação, que foi o grande destaque do ano - afirmou a jornalistas Silvio Campos Neto, economista-chefe do Banco Schahin.

Em 2007, os preços de alimentos subiram 10,79%, respondendo por 2,21 pontos percentuais, quase metade, do IPCA.

O IBGE apontou como fatores para essa pressão "condições climáticas desfavoráveis, com chuvas intensas no primeiro semestre e longa estiagem no segundo; preços elevados dos produtos cotados no mercado internacional; aumento das exportações, favorecido por problemas climáticos em países produtores; redução de safra por baixa remuneração em períodos anteriores; e aumento da demanda por alimentos, tanto interna quanto externa".

O item carnes avançou 22,15% e foi a maior contribuição para a inflação no ano. Em segundo lugar ficou o o item leite e derivados, com elevação de 19,79%, e em terceiro o feijão, que saltou 109,20 %. Na outra ponta, a maior contribuição negativa de 2007 veio da tarifa de energia elétrica, cujo preço declinou 6,16%. Com isso, os custos dos produtos não-alimentícios tiveram em 2007 a menos alta de 1998, de 2,83%.

"A variação se deveu aos seguintes fatores: câmbio em queda, o que favoreceu o custo dos importados, estimulou a concorrência e levou à redução das tarifas de energia elétrica; aplicação de índices de correção específico em substituição aos gerais; alteração de metodologia de cobrança das contas de telefone fixo de pulso para minutos" e à inexistência de reajustes da gasolina e dos ônibus urbanos em algumas regiões, diz o informe do IBGE.

Neste ano, isso deve se inverter.

- Em 2008, vamos ver uma diferença de composição, com os administrados mais pressionados e alimentação ainda alta, mas menos do que ocorreu em 2007. Esperamos um IPCA ligeiramente abaixo do de 2007, de 4,30% - afirmou Campos Neto.

Com a aceleração dos índices que balizam contratos, os IGPs em 2007, o comportamento das tarifas neste ano será menos favorável. Além disso, alguns analistas especulam sobre um aumento dos combustíveis em razão dos seguidos recordes do petróleo.

Pressão menor

Em dezembro, o IPCA subiu 0,74%, a maior taxa do ano, acima da variação de 0,38 % de novembro. Os dados abertos mostraram, segundo os analistas, alguns itens positivos, apesar da aceleração.

- Os núcleos desaceleraram em relação ao IPCA-15 de dezembro... e a inflação de serviços apesar de alta, desacelerou na margem - afirmou Fabio Knijnik, economista do Bes Investimento.

O núcleo por exclusão (sem alimentos em domicílio e preços administrados) subiu 0,58% em dezembro, ante alta de 0,66% no IPCA-15 do mesmo mês. O núcleo por médias aparadas com suavização avançou 0,40%, ante 0,41% no IPCA-15. Sem suavização, a alta foi de 0,45%, contra 0,42%. O IBGE não informa os núcleos. Os números foram calculados por economistas ouvidos pela agência inglesa de notícias Reuters.

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