Um tribunal de Milão condenou o ex-primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi nesta segunda-feira a sete anos de prisão
A condenação em última instância do ex-premiê Silvio Berlusconi por fraude fiscal deixa por um fio a frágil coalizão italiana de governo, apesar de os partidários do político conservador garantirem que não abandonarão o governo. O primeiro-ministro da Itália, Enrico Letta, disse nesta sexta-feira estar certo de que os melhores interesses da Itália vão preponderar sobre disputas partidárias.
– Estou convencido de que estamos em uma situação em que cada um tem que assumir suas responsabilidades pelos melhores interesses do país – disse a jornalistas.
Letta acrescentou que está seguro de que "todos os partidos – vão fazer a coisa certa". O fato, no entanto, é que apenas três meses depois da posse do premiê centro-esquerdista, à frente de uma desconfortável coalizão com o partido centro-direitista Povo da Liberdade (PDL), a Itália – terceira maior economia da zona do euro – está novamente mergulhada na incerteza. Berlusconi, um bilionário de 76 anos, reagiu com irritação à decisão da Suprema Corte italiana de rejeitar o último recurso contra a condenação dele. O ex-premiê insistiu na sua inocência e disse que é perseguido por juízes desde que entrou para a política, há 20 anos.
A condenação diz respeito à acusação de que o conglomerado de mídia Mediaset, de Berlusconi, superfaturou direitos de transmissão televisiva, como parte de uma fraude tributária. Após dezenas de processos por acusações variadas -de sonegação fiscal a crimes sexual-, essa é a primeira vez que Berlusconi sofre uma condenação definitiva.
– Ninguém pode entender a verdadeira violência direcionada contra mim. Uma genuína campanha de acusação que não tem igual – disse ele em um vídeo transmitido pela TV após o veredicto.
Por causa da idade, Berlusconi provavelmente se livrará da cadeia. A corte determinou que a sentença original seja revista no seu trecho que previa a cassação dos direitos políticos do réu. Mesmo assim, a conclusão do processo representa um golpe sem precedentes para um homem que durante duas décadas dominou a política italiana. O político e comediante Beppe Grillo, líder do Movimento 5 Estrelas, principal grupo de oposição, disse que a condenação de Berlusconi é "igual à queda do Muro de Berlim em 1989".
Os mercados financeiros, no entanto, ficaram menos impressionados com a notícia, num sinal de que os investidores preveem que o governo conseguirá sobreviver, ao menos por enquanto. O principal índice acionário ficou estável na sexta-feira, e os juros para os títulos públicos com vencimento em dez anos caíram. Já as ações da Mediaset tiveram queda de 4 por cento no volátil início do pregão. Berlusconi disse que vai continuar na política, por meio do "Forza Italia", nome do seu primeiro partido, e que vai pressionar por uma reforma do Judiciário. Ele não fez, no entanto, nenhuma menção ao futuro da coalizão com Letta.
Na véspera, a Suprema Corte da Itália confirmou a condenação de Berlusconi por fraude fiscal, cujo partido de centro-direita apoia a coalizão de Letta, que governa o país.
Tags:
Relacionados
Edições digital e impressa
Utilizamos cookies e outras tecnologias. Ao continuar navegando você concorda com nossa política de privacidade.