Rio de Janeiro, 10 de Setembro de 2026

Aliança entre Marina e Campos sofre novo golpe em São Paulo

Segunda, 09 de Junho de 2014 às 12:35, por: CdB
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Marina Silva jogou água no chopp da coalizão entre PSB e PSDB em São Paulo
A aliança entre a facção política Rede, liderada por Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o PSB, do presidenciável pernambucano Eduardo Campos, sofreu um novo golpe, nesta segunda-feira, com as declarações do presidente do diretório paulista do PSB, deputado Márcio França. Ele deixou clara a divisão da legenda e culpou a Rede pela falta de acordo. Segundo ele, a sigla já tem prazo para sair: – Eles preferiram trabalhar como se fossem um outro partido. Assim que registrarem o partido deles, vão embora. E a gente vai continuar no PSB. Onde tiver intersecção, vamos juntos – disse, em entrevista ao diário conservador especializado em economia Valor., de propriedade cruzada entre as Organizações Globo e a Folha da Manhã, editora do diário Folha de S. Paulo. Segundo França, "a ingratidão (com Alckmin) é um ato forte e só teria condições de fazer um movimento contrário se tivesse grande oportunidade. Se Marina fosse candidata em São Paulo, estava resolvido. Fui prefeito de São Vicente e em 2010 declarei voto nela. Foi a cidade em que ela foi mais votada, entre as grandes, porque declarei meu voto. Tenho legitimidade para dizer que nem sempre ela está certa”. A decisão do PSB-SP colocou em xeque também o controle de Marina sobre as definições do partido. A pré-candidata a vice na chapa presidencial de Eduardo Campos (PSB) tem dito que não há como pregar a renovação no governo federal e apoiar o PSDB em São Paulo, que comanda há vinte anos o Estado. Marina, ao filiar-se ao PSB em 2013, pediu a Campos alternativa à aliança com o PSDB. Os "marineiros", contudo, foram vencidos por unanimidade na sexta-feira, em reunião do diretório estadual. No encontro, França minimizou o tamanho do grupo de Marina em São Paulo: o PSB-SP tem 200 mil filiados, enquanto o Rede tem cerca de 100 pessoas, filiadas "na última hora", depois que a ex-senadora não conseguiu criar seu partido. Sobre a divisão do PSB, França afirmou que "quando eles (Rede) entraram no partido, fizemos todos os movimentos para fundir em uma coisa só. Eles preferiram trabalhar como se fossem um outro partido. Já que é nessa lógica, não há nada demais eles terem uma posição e a gente outra. São dois partidos". A aliança com Alckmin reforçou a fragmentação, continuou França. – Isso sempre houve. Eles não vão ficar com a gente para sempre. Eles têm um prazo, já deram um prazo. Assim que registrarem o partido deles, vão embora. E a gente vai continuar no PSB. A gente sofre a influência deles e é bom, mas não vamos mudar 100%. Senão, vamos nos filiar à Rede. Onde tiver intersecção, vamos juntos – acrescentou. A orientação de Campos nesse processo, segundo França, foi a de "tentar uma conciliação". – Foi quando me convenci a ser candidato. Eles (marineiros) não me aceitaram e ficaram brigando comigo como se eu fosse um bicho papão. Se a Rede queria uma candidatura, poderia ter abraçado a que lançamos. Ao não abraçar, claramente deu um sinal de que era melhor procurarmos alternativa – disse. Quando a disputa ficar mais acirrada entre Aécio e Campos, segundo França, o problema será dos tucanos. – Quem tem que se preocupar com isso é o Aécio. São Paulo é o principal Estado do PSDB e ele que deveria ficar preocupado com a possibilidade de Alckmin abrir palanque para os dois candidatos. Não podíamos deixar o PSDB sozinho em São Paulo, com 32 milhões de eleitores. Eles controlam 515 prefeituras das 645, entre prefeitos tucanos e aliados. Marina ajudará nas áreas densas, urbanas, mas no interior não tem chegada. Quem fará a interlocução no interior é o governador. É provável que Alckmin esteja no segundo turno, contra PT ou PMDB, que são de Dilma. Se Campos for para o segundo turno, quem faria o palanque dele no Estado sem essa aliança – questionou. Embora Marina tenha dito que essa aliança é contraditória, o político paulista discorda. – É um equívoco. Em São Paulo, nossa relação com Alckmin se deu nos últimos três anos. Vínhamos no governo, ele nos ajudou em várias campanhas. A ingratidão é um ato forte e só teria condições de fazer um movimento contrário se tivesse grande oportunidade. Se Marina fosse candidata em São Paulo, estava resolvido. Fui prefeito de São Vicente e em 2010 declarei voto nela. Foi a cidade em que ela foi mais votada, entre as grandes, porque declarei meu voto. Tenho legitimidade para dizer que nem sempre ela está certa. Assim como digo a Eduardo que muitas vezes ele não está certo – concluiu.
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