Os entendimentos entre o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e o governador do Estado do Rio, Sérgio Cabral Filho, estão na alça de mira tanto dos aliados quanto dos adversários. A disputa interna em marcha no diretório estadual do Partido dos Trabalhadores abriu margem para um ataque direto do adversário e líder do Partido Democrata (DEM) Cesar Maia, nesta sexta-feira. Prefeito do Rio, Cesar enviou, por e-mail, à imprensa, a crítica intitulada: "Cinco e meio de seis candidatos a presidente do PT são contra a aliança com o governador Sergio Cabral!".
Analista político ouvido pelo Correio do Brasil acredita que a mensagem deve ser compreendida como a retomada das hostilidades entre o grupo do ex-governador Anthony Garotinho, que defende uma aproximação a Maia, e o PT fluminense. Um possível rompimento na aliança, ora em vigor entre petistas e peemedebistas aliados a Cabral, viria a favorecer, no flanco direito, as pretensões do DEM, de manutenção da máquina administrativa. Permitiria, ainda, o ressurgimento de Garotinho, ao centro, em uma administração regida por ambos no município do Rio de Janeiro, em caso de vitória nas eleições. Por último, uma saída à esquerda para os petistas estaduais. Em todas as eleições, o PT lançou candidatos aos cargos majoritários, em primeiro turno.
– É visível. O PT do Estado do Rio não se sente confortável nessa aliança entre o presidente da República e o governador do Estado. Lula e Sérgio Cabral alinhavaram um entendimento entre eles em nível de governo, com quase nenhuma ingerência partidária em níveis nacional e regional. Restou aos partidos administrar uma aliança de interesses muito frágeis e, por esse motivo, o agravamento na disputa com vistas, ano que vem, às administrações municipais em todo o interior fluminense, e não apenas no Rio – analisa um parlamentar da bancada estadual do PMDB que, por questões pessoais, prefere o anonimato.
Público mínimo
Após o primeiro debate entre os candidatos à presidência do Diretório Estadual do PT fluminense, semana passada, no auditório da Câmara Municipal de Niterói, onde a platéia não lotou as galerias com capacidade máxima para 50 pessoas, as fitas foram copiadas e publicadas na página eletrônica do PT. Maia selecionou trechos do debate nos quais os petistas chegaram a sugerir o rompimento da aliança com o governo de Cabral.
A candidata Christiane Granha, contrária à aliança, afirmou "não ser possível ter altivez com essa parceria (Lula e Cabral), que não ataca as raízes da pobreza, por exemplo". A opinião dela é compartilhada pela adversária, deputada Cida Diogo.
– Se continuarmos deste jeito e com esta direção permaneceremos subordinados ao PMDB – disse Diogo.
Para outro dos concorrentes, Aurélio Medeiros, a presença do PT no governo estadual não faz sentido e questionou:
– O que estamos fazendo no governo Sergio Cabral?
Medeiros também afirmou que partido não está atuante no governo, depois de lembrar palavras do próprio presidente da República:
– O Lula já disse: "Partido é partido e governo é governo", então, é hora e é preciso cobrar dele esta compreensão – disse, e acrescentou: "não quero mais ouvir o Sergio Cabral dizer que favelados são fábricas de marginais".
Para o atual presidente do diretório estadual, Alberto Cantalice, trata-se de "conversa fiada (afirmações do tipo) de que o fundamental hoje não é o apoio ao governo Sérgio Cabral, mas, sim, o apoio ao Governo Lula".
– Isso é pura conversa fiada – frisou Cantalice.
Cantalice lembrou, ainda, "que não se pode ter a ilus