Rio de Janeiro, 23 de Setembro de 2026

Aliança com PT integra projeto de poder do PTB

Poucas semanas antes do trágico acidente aéreo que lhe tirou a vida, o então presidente do PTB, José Carlos Martinez (PR), reuniu no gabinete da Liderança do partido na Câmara uma legião de aproximadamente 40 deputados petebistas e alguns parlamentares curiosos. Era véspera do prazo limite para trocas partidárias de interessados em disputar as eleições municipais deste ano. (Leia Mais)

Segunda, 28 de Junho de 2004 às 07:45, por: CdB

Poucas semanas antes do trágico acidente aéreo que lhe tirou a vida, o então presidente do PTB, José Carlos Martinez (PR), reuniu no gabinete da Liderança do partido na Câmara uma legião de aproximadamente 40 deputados petebistas e alguns parlamentares curiosos. Era véspera do prazo limite para trocas partidárias de interessados em disputar as eleições municipais deste ano. A cerimônia fechava um ciclo de cooptações de tucanos descontentes, que naquele momento colocava o PTB como quarta maior bancada da Câmara, superando a do PSDB. A assinatura das fichas de filiação dos deputados Salvador Zimbaldi (SP) e Luiz Piauylino (PE) era emblemática: o primeiro fora vice-líder do governo FHC no Congresso e o outro ocupava, e ainda ocupa, a 2ª vice-presidência da Câmara - cargo importante na estrutura de poder do Parlamento, pois tem atribuições de Corregedoria.

Ao dar as boas vindas aos novos correligionários, Martinez traçou um esboço da estratégia de faxina na imagem fisiológica do partido, que tem como meta mais ambiciosa algo além do posto de vice-presidente na chapa de reeleição do petista Luiz Inácio Lula da Silva. O PTB quer eleger um candidato próprio à Presidência da República, o que não ocorre desde a recondução de Getúlio Vargas, em 1950. E o nome mais provável dessa operação no atual cenário político é do ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes - hoje no PPS. Não só pelo clima de permanente beligerância no partido ex-comunista, onde o presidente Roberto Freire traça uma rota de colisão com o governo e alinhamento com o PSDB, mas também pela proximidade do ministro com a cúpula petebista desde a última eleição presidencial.

Ciro tem sido o grande aliado do PTB na aproximação com as hostes petistas. Ganhou a gratidão, e posteriormente a confiança, do presidente Lula quando declarou apoio incondicional ao candidato do PT, logo após o encerramento do primeiro turno da eleição de 2002. Foi uma decisão determinante para dar tranqüilidade ao comitê petista e não deixar o clima de frustração, pela fatura não ter sido liquidada na primeira etapa do pleito, contaminar a campanha do segundo turno. O valor foi ainda maior aos olhos do presidente por Ciro ter enfrentado o comando dos partidos que lhe deram apoio - PPS, PDT e PTB -, que pretendiam valorizar o passe do ex-governador do Ceará. O candidato do PSDB, José Serra, chegou a implorar ao telefone para que o presidente do PPS, Roberto Freire (PE), impedisse a declaração do voto incondicional de Ciro em Lula, na largada para o segundo turno.

A aposta em Ciro é uma das razões pela qual o PTB, mesmo depois de ter dobrado a bancada de 26 deputados eleitos em 2002, não exige muito mais do governo que o modesto Ministério do Turismo, comandado pelo vice-presidente do partido Walfrido dos Mares Guia (MG) - que forma o tripé de comando do PTB com o presidente, Roberto Jefferson (RJ), e o secretário-geral, Luiz Antonio Fleury (SP). Diferente do que normalmente aparece na imprensa, os dirigentes do partido não vivem incomodando a cúpula do governo por causa da liberação de verbas e nomeação de apadrinhados para cargos estratégicos. As bancadas na Câmara e no Senado têm mostrado no voto que sua fidelidade é importante para o governo - e recebem a contrapartida pelos serviços prestados.

Limpando a imagem

O PTB está carimbado com a pecha de fisiologia desde que Ivete Vargas tirou a sigla de Leonel Brizola no momento da redemocratização do País e Gastone Righi - que ainda integra a Comissão Executiva Nacional - aderiu ao "Centrão" da Assembléia Constituinte, ajudando a barrar muitas diretrizes progressistas para a Constituição. A marca ficou mais forte durante o primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso, quando o partido foi liderado pelo mineiro Paulo Heslander, que não se envergonhava de ser um despachante da troca de votos por cargos, verbas e favores. As cenas de chantagem explícita foram enfraquecendo o PTB nas urnas. Primeiro

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