A Aliança Azul, que ganhou as eleições legislativas realizadas no sábado, pediu ao presidente taiuanês, Chen Shui-bian, que nomeie um primeiro-ministro da oposição.
O candidato indicado por Lien Chan, o líder da Aliança Azul, é o opositor Chiang Ping-kun, um ex-funcionário econômico que mantém boas relações com o mundo empresarial.
Lien afirmou que se trata de um pedido lógico, tendo em conta que, "nas eleições, ficou claro que as pessoas querem estabilidade e que o país continue seu desenvolvimento".
Chen, que sempre foi reticente a governar em coalizão, ainda não respondeu diretamente ao pedido, mas antes das eleições já o tinha descartado em um encontro de campanha.
No entanto, Chen reconheceu a vitória opositora e instou o início de um processo de reconciliação e cooperação entre os partidos representados no Parlamento.
"Melhoremos juntos a relação entre o governo e o Parlamento e prossigamos conjuntamente para o progresso nacional e o desenvolvimento", disse Chen.
A opositora Aliança Azul, composta pelo Partido Kuomintang e pelo Partido Primeiro o Povo, obteve 114 cadeiras nas eleições e renovou sua maioria no Parlamento.
A governista Aliança Verde, formada pelo governante Partido Democrata Progressista e por seus aliados da União Solidariedade de Taiwan, conseguiu 101 cadeiras, enquanto as cerca de dez cadeiras restantes foram para os candidatos independentes.
A derrota sofrida pelo oficialismo prejudica os planos de Chen de redigir uma nova Constituição, reformar a estrutura do governo e proteger a ilha com a compra de caros armamentos dos Estados Unidos.
No entanto, os analistas não acreditam que Chen mudará sua atitude em relação à China, que o considera um independentista, embora o presidente negue que seu objetivo seja a independência.
Neste sentido, a oposição prometeu que acompanhará Chen de perto para evitar que siga com sua política independentista.
Lien Chan, que é também o presidente do Partido Kuomintang, prometeu utilizar a maioria parlamentar para acabar com as provocações de Chen e trabalhar pelo estabelecimento de um novo capítulo nas relações com a China.
Para isso, propôs a abertura de laços diretos entre as duas partes do Estreito de Taiwan, o relaxamento dos controles aos investimentos taiuaneses na China e a assinatura de um acordo de manutenção do atual "status quo" durante 50 anos.
Além disso, Lien manifestou-se contra o plano de Chen para redigir uma nova Constituição e propôs como alternativa uma revisão parcial da Carta Magna taiuanesa.
A nova caminhada parlamentar taiuanesa coincide com a última etapa de Lien à frente do Kuomintang, cuja presidência abandonara em agosto e pode representar a substituição no comando no partido que regeu os destinos da ilha nos últimos 50 anos.
Os principais candidatos à direção do Kuomintang são o prefeito de Taipé, Ma Ying-jeou, e Wang Jin-pyng, atual presidente do Parlamento.
Os observadores locais estimam que a substituição pode ajudar a eliminar o clima de confronto que a ilha vive desde as eleições presidenciais de março, quando Chen renovou seu mandato por uma pouca vantagem de 29.518 votos depois de sofrer um atentado, do qual saiu ileso e que ainda não foi esclarecido.
As fileiras da oposição acreditam que o atentado foi orquestrado pelo oficialismo para provocar um sentimento de simpatia em relação a Chen.