Contrariando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, , senadores aliados defenderam a necessidade de o governo manter aberta a porta de negociações para aprovar a prorrogação da CPMF.
— Não há prática democrática sem o entendimento entre os políticos, entre o Parlamento e o Poder Executivo. Estou convicto de que o governo, tanto o ministro Mantega, quanto o próprio presidente da República prosseguirão negociando com os parlamentares. Sem um vasto entendimento, a aprovação da CPMF será muito difícil — disse Edison Lobão (PMDB-MA).
O governo também quer contar com a atuação do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) por isso deve trabalhar para que ele não tenha o mandato cassado. Renan trabalharia para reduzir dissidências ao “imposto do cheque” em troca de apoio no plenário de senadores governistas para evitar a cassação do mandato.
Votos necessários
O senador Pedro Simon (PMDB-RS), substituído na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) por ter posição contrária à CPMF, disse, ironizando, que o governo conseguirá ter os 49 votos necessários para prorrogar o “imposto do cheque”. — Até o dia da votação (o governo) terá. É um troca-troca. Ele (governo) vai chegar ao preço de muita gente e aprovar — disse Simon.
O senador gaúcho afirmou que votará pela derrubada da CPMF para forçar o governo a aprovar uma reforma tributária. O Palácio do Planalto comprometeu-se com os aliados a encaminhar ao Congresso uma proposta até 30 de novembro.
— É a última chance que temos de fazer uma reforma tributária para valer. Se o governo perder na CPMF, ele vai enlouquecer, vai convocar o Congresso em janeiro, em fevereiro e faz a reforma tributária. Se o governo ganhar, o Lula até o fim do governo não vai olhar pra nós. Porque não precisa mais de nada — sustentou Simon.
Bancada liberada
O senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), outro barrado na CCJ por ser contrário à CPMF, reafirmou que o partido deve liberar a bancada de seis senadores na votação. — Não há fechamento de questão. Os senadores vão votar de acordo com os seus pontos de vistas. Eu tenho um ponto de vista formado, amadurecido, como médico, de que esse imposto criado para salvar a saúde, só fez piorar a Saúde em 11 anos — disse o petebista.
Um dos argumentos para o governo tentar sensibilizar os senadores é que faltará recursos para o setor com o fim da CPMF. O presidente Lula comprometeu-se em elevar em R$ 24 bilhões, nos próximos quatro anos, os recursos do orçamento do Ministério da Saúde.
— Não posso aceitar, como argumento, recursos para a saúde. Até porque também na saúde o que temos visto é escândalos muito forte, com o dinheiro da Saúde — disse Cavalcanti.