A CPI da Petrobras, com início agendado para esta terça-feira, chega como um grande palco para a oposição, mas controlada pelo 'rolo compressor' da base aliada, que conquistou a maioria dos votos no plenário. Os principais contendores, tanto do governo quanto da oposição estão escalados para os debates, embora os resultados práticos das investigações, segundo observadores próximos da cena política, tendam a ser próximo de zero. Com 8 das 11 vagas na CPI, os partidos governistas tendem a seguir à risca as orientações do governo para evitar maiores desgastes às suas legendas.
Os líderes do PMDB, Renan Calheiros (AL), e do PT, Aloizio Mercadante (SP) controlaram as indicações para os cargos mais importantes na Comissão: a Presidência e a Relatoria. Aliado com votos tanto junto a peemedebistas quanto a petistas, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), é o nome mais cotado para a relatoria. Pesa a a seu favor o histórico de fidelidade ao governo. Para a presidência, os governistas tendem a indicar o senador João Pedro (PT-AM). Ambos os cargos somente serão preenchidos nesta terça-feira, minutos antes da instalação da CPI.
Cientes de que o governo tende a tratar a CPI da Petrobras com mão de ferro, integrantes da oposição acreditam ser possível abrir algumas brechas na muralha dos aliados governistas. Eles apostam na força dos fatos para romper a blindagem política levantada pelo governo. A minoria, porém, teme que o governo, caso sinta-se pressionado, passe a esvaziar a CPI.
– Maioria não se sustenta quando um fato relevante aparece. O governo já passou por isso em experiências anteriores e, por isso, temia a instalação da CPI. Sem contar que temos 180 dias para mostrar ao Brasil os problemas dessa grande empresa – disse o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), a jornalistas.