O aumento de R$ 20 no salário mínimo não agradou a oposição e muito menos a base aliada. No Congresso, o senador Paulo Paim (PT-RS) saiu na frente e já avisou que vai brigar para que os trabalhadores não recebam menos do que US$ 100.
- O Congresso vai mudar essa MP - garantiu Paim.
Para o senador, que já foi líder da bancada petista, o movimento não significa necessariamente uma rebelião: "Trata-se da defesa de 120 milhões de brasileiros". Em conversas com outros parlamentares petistas e da base aliada, Paim percebeu que "ninguém ficou satisfeito".
A busca de recursos alternativos para a edição de um substitutivo à MP do salário mínimo é, agora, uma questão de urgência para estes parlamentares insatisfeitos. Ele acredita que a Cofins, o aumento da arrecadação e o superávit da seguridade social somados irão permitir um reajuste mais digno ao salário mínimo.
Para o senador José Jorge (PFL-PE), de oposição, "este reajuste é ridículo e contraria a promessa do presidente", afimrou. Ele lembrou da promessa de Lula de dobrar o valor do salário-mínimo ao longo de seus quatro anos de mandato.
- Isso está se tornando um estelionato eleitoral - protestou.
Até o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), normalmente mais condescendente com o governo, fez uma ironia com a decisão presidencial:
- O Lula pensou muito para acabar chegando a um salário salário-mínimo medíocre como este.
Na Câmara dos Deputados a reação não foi diferente. O presidente João Paulo Cunha disse que a Câmara vai analisar a proposta de reajuste do salário mínimo. Ele reconhece que a Câmara tem autonomia para mudar o valor, mas que isso depende do que a maioria da Casa decidir. Ele garantiu que "todas as propostas para modificar o valor serão avaliadas oportunamente".
Sobre a promessa do presidente Lula de dobrar o valor do salário mínimo nos quatro anos de governo, João Paulo disse que é uma proposta do Executivo e cabe a ele responder a essa questão. Quanto ao valor do mínimo, ele adiantou que qualquer cifra que seja adotada é pouco, levando-se em conta a situação do país.
Na base aliada, a decepção é idêntica. O deputado Helio Costa (PMDB-MG) tentou amenizar o efeito da decisão e transferiu do presidente para a equipe econômica do governo a responsabilidade por um aumento tão pequeno.
- A demora do anúncio criou uma expectativa muito grande. A equipe econômica age sem pensar no aspecto social, mas esta era uma característica do governo FHC. Acredito que Lula deve estar se sentindo muito mal com tudo isso - concluiu.