Rio de Janeiro, 02 de Setembro de 2026

Aliados dos EUA discutem presença no Iraque

As mortes de sete agentes de inteligência espanhóis e de dois diplomatas japoneses em emboscadas no Iraque provocaram no domingo um novo debate em países aliados dos Estados Unidos sobre os riscos de participarem de missões no Iraque. (Leia Mais)

Domingo, 30 de Novembro de 2003 às 09:55, por: CdB

As mortes de sete agentes de inteligência espanhóis e de dois diplomatas japoneses em emboscadas no Iraque provocaram no domingo um novo debate em países aliados dos Estados Unidos sobre os riscos de participarem de missões no Iraque.

O Exército dos EUA disse que dois soldados norte-americanos também foram mortos no sábado, quando guerrilheiros atacaram o comboio em que viajavam com armas leves e granadas lançadas por foguetes a oeste de Bagdá.

O ataque elevou para 187 o número de soldados dos EUA mortos no Iraque desde que Washington declarou o fim dos combates principais, no início de maio.

Na Espanha, onde a opinião pública foi contra a guerra, a morte de sete agentes no sul de Bagdá no sábado reviveu as dúvidas sobre a missão dos cerca de 1.300 soldados espanhóis que ajudam a controlar o centro e o sul do Iraque.

``A Espanha paga um preço alto'', disse em editorial o jornal de esquerda El Pais. O diário El Mundo descreveu o caso como ''mortes que requerem explicações e reflexão''.

Testemunhas disseram que uma multidão cercou os corpos dos espanhóis mortos, chutou os cadáveres e gritou frases de apoio ao ditador fugitivo Saddam Hussein.

Na manhã de domingo, jovens pulavam sobre os destroços e desmontavam um dos carros. ``Estamos felizes com o que aconteceu'', disse Abdul Qader, estudante de 20 anos. ``Não gostamos dos americanos nem dos espanhóis''.

O ministro da Defesa espanhol, Federico Trillo, disse que irá ao Iraque para resgatar os corpos dos agentes.
Socialistas da oposição deixaram de lado as objeções à guerra para manifestar pesar pelas mortes e apoiar os parentes.

``Minha posição sobre a guerra ao Iraque é conhecida, mas hoje é um dia de luto, é um dia de dor, é um dia de união e solidariedade com as famílias das vítimas'', disse a repórteres o líder socialista José Luis Rodriguez Zapatero.

Diplomatas Mortos

Em Tóquio, a ministra das Relações Exteriores do Japão confirmou que dois diplomatas foram mortos em uma emboscada no sábado quando viajavam para um seminário sobre a reconstrução do Iraque na cidade natal de Saddam, Tikrit.

As mortes certamente complicarão a decisão de Tóquio sobre a viabilidade de mandar tropas ao Iraque. Mas a ministra das Relações Exteriores, Yoriko Kawaguchi, disse que o Japão continua decidido.

``Este incidente é imperdoável'', disse.

O tenente-coronel William MacDonald, porta-voz da 4a Divisão de Infantaria em Tikrit, disse que os diplomatas japoneses foram atacados quando o motorista parou na estrada a caminho de Tikrit.

``Os três pararam para comprar comida e bebida quando os agressores dispararam armas de pequeno calibre contra eles'', disse a repórteres.

Analistas políticos disseram que o primeiro-ministro Junichiro Koizumi pode causar sérios danos à sua popularidade se enviar soldados ao Iraque e houver mortes, o que poderia prejudicar a campanha para as eleições à câmara alta do Parlamento, em julho.

O Japão aprovou uma lei especial para poder enviar tropas ao Iraque mas, de acordo com a constituição pacifista do país, os soldados só podem ser enviados para áreas fora de combate e participar apenas de trabalhos humanitários e de reconstrução.

Os planos do Japão de enviar tropas foram colocados em compasso de espera após o ataque suicida contra uma base italiana no sul do Iraque que matou 19 italianos e nove iraquianos.

Depois do ataque, o Japão enviou uma equipe de reconhecimento ao sul do Iraque, onde suas tropas ficarão. O ministro da Defesa japonês, Shigeru Ishiba, disse que, segundo a equipe, a região está relativamente estável.

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