Os deputados membros da coordenação de campanha de Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP) à presidência da Câmara já tratam o colega petista Virgílio Guimarães (MG) como adversário na disputa ao posto. A estratégia é jogar pesado na coleta de votos para tentar enfraquecer outras candidaturas.
"Eu o estou tratando como um candidato. Ele está anunciando que é candidato, que seja candidato. Eu fui indicado pela bancada do PT. Quem mudou não fui eu", afirmou Greenhalgh nesta segunda-feira, após se reunir com a coordenação de sua campanha.
No processo de escolha do sucessor de João Paulo Cunha (PT-SP), que ocorreu antes do Natal, o deputado mineiro retirou oficialmente seu nome e declarou apoio formal ao colega. Mas depois disso, Virgílio passou a defender a candidatura avulsa, alimentando um movimento a favor de seu nome, embora não tenha assumido formalmente, até agora, que está na disputa.
Os defensores de Virgílio dizem que o lançamento oficial de sua candidatura será feito na próxima quarta-feira, a despeito de todas as pressões contrárias da cúpula do PT.
Parte do partido ainda trabalha com o cenário ideal de desistência, mas os insatisfeitos com a postura de Virgílio já não evitam críticas incisivas ao colega.
"Estamos tratando esta questão de maneira política. Agora, é evidente que se um petista tomar uma posição de afrontar de maneira pública uma decisão unânime da bancada, de maneira até mesmo desrespeitosa, politicamente ele será tratado com um ex-petista", enfatizou o deputado Paulo Pimenta (PT-RS).
Uma fonte do Planalto, que pediu para não ser identificada, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já deu recados bastante claros a Virgílio nos dois encontros que tiveram para discutir o assunto.
Após uma dessas conversas, na semana passada, o candidato mineiro saiu dizendo que o presidente não havia pedido para que saísse da campanha. Na ocasião, Lula teria apenas dito que o nome da bancada era Greenhalgh.
"Ora, para bom entendedor, meia palavra basta. Em política, não há dessas coisas de ser direto, ainda mais o presidente da República", disse a fonte.
Assessores de Lula não descartam a possibilidade de um terceiro encontro com o presidente ainda esta semana. Mas o cenário agora está mais complicado, depois das conversas anteriores. Para petistas próximos a Lula, quanto mais ele se envolve no processo, mais uma derrota de Greenhalgh poderia ser vista como um revés pessoal.
Saia justa
O embate interno do PT tomou proporções inesperadas para deputados da sigla que apostavam que Virgílio fosse jogar a toalha rapidamente. A divisão interna é tão evidente que sobrou espaço para uma saia justa entre parlamentares governistas.
O deputado Professor Luizinho (PT-SP), líder do governo, disse nesta tarde ao deputado João Leão (PL-BA), vice-líder do partido e cabo eleitoral do petista mineiro: "Todos os líderes da base do governo votam em candidato do governo".
O parlamentar baiano respondeu prontamente: "Se a questão é essa, eu acabo de pedir demissão."
João Leão não só aposta numa vitória de Virgílio como já contabiliza 264 votos, sete a mais que o necessário para vencer a disputa. "É uma questão de paixão, e a Casa está apaixonada por Virgílio Guimarães", disse.
O atual presidente da Câmara, deputado João Paulo Cunha (PT-SP), por sua vez, enviou uma carta a todos os deputados pedindo votos para Greenhalgh.
"Meu amigo, quero o seu voto para que possamos ter Luiz Eduardo Greenhalgh na liderança desta Casa, à qual dedicamos nossas vidas", diz João Paulo em um trecho da carta.