Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

"Ali, o químico" pode estar envolvido em outro massacre no Iraque

Quinta, 17 de Fevereiro de 2005 às 05:48, por: CdB

O general iraquiano Ali Hassan al Mayid, conhecido como "Ali, o químico", acusado do massacre de milhares de curdos no Iraque, pode estar também envolvido no massacre de xiitas no sul do país, denunciou a organização <i>Human Rights Watch</i>.

Em um relatório divulgado por sua seção para o Oriente Médio e o Norte da África, a prestigiosa organização de defesa dos direitos humanos assegurou que o primo do derrocado Saddam Hussein participou da repressão aos xiitas da cidade meridional de Basra em 1999.

- O papel de Al Mayid no genocídio curdo é bem conhecido, mas parece que suas mãos também estão manchadas em Basra. - indicou o diretor da organização para o Oriente Médio e o Norte da África, Joe Stork.

A acusação é fruto das entrevistas que os investigadores realizaram com familiares e testemunhas, e das provas emanadas do estudo de documentos e valas comuns, explicou.

A organização descobriu além disso uma lista manuscrita com o nome de 120 homens jovens que aparentemente foram executados em maio de 1999 depois de participar de uma manifestação de protesto pelo assassinato do grande aiatolá Mohammed Sadiq al Sadr, um dos líderes espirituais da comunidade xiita.

Os corpos de 34 destes manifestantes foram achados em uma vala comum e 29 deles já foram identificados por sua famílias, afirma o documento assinado por Stork.

No final da lista aparece a frase "por ordem do Comandante Chefe da Região", cargo que naquele tempo era desempenhado pelo citado Al Mayid, acrescentou Stork.

Caso sejam aceitas, as novas provas podem ser somadas à ata de acusação do julgamento por genocídio que será aberta contra o general iraquiano, que deve seu apelido ao uso de armas químicas durante a repressão aos curdos de 1988 em Jalabacha.

Em 14 de fevereiro, o primeiro-ministro interino, Iyad Allawi, anunciou que os julgamentos contra Al Mayid e outros altos funcionários do deposto regime iraquiano começaria em uma semana, mas nenhum começou até o momento.

Fontes americanas em Bagdá assinalaram, no entanto, que não espera-se que os julgamentos comecem antes de 2006, já que o Tribunal Espacial ainda não está preparado.

No mesmo comunicado, a Human Rights Watch expressou também sua preocupação pela forma com a qual está sendo realizado o processo, e em especialmente aponta a situação de Al Mayid, detido há mais de um ano sem direito a designar um advogado.

- Os crimes dos quais é acusado são muito graves, por isso é muito importante que o processo seja correto. O Tribunal Especial Iraquiano deve ser um órgão independente, alheio às pressões políticas, e adaptado aos padrões internacionais. - concluiu a nota.

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