Por Miguel do Rosário. O Cafezinho perdeu a virgindade. Eu esperava que isso fosse acontecer mais cedo ou mais tarde. Mas confesso que fiquei decepcionado, porque foi muito previsível. O diretor de jornalismo da Rede Globo, Ali Kamel, está me processando por tê-lo chamado de "sacripanta reacionário e golpista", num post de janeiro deste ano, intitulado As taras de Ali Kamel, no qual eu procuro defender o colega Rodrigo Vianna, que fora absurdamente condenado por um chiste. A acusação, porém, é tosca e inepta. Tem um erro grosseiro logo no início, ao dizer que eu o acusei de cometer "todo o tipo de abuso contra a democracia" e "a dignidade humana", e se empenhar dia e noite para denegrir a imagem do Brasil, aqui e no exterior" e de utilizar "métodos de jornalismo" que "fazem os crimes de Rupert Murdoch parecerem estrepolias de uma criança mimada". Kamel se identifica tanto com a empresa onde trabalha, que ele acha ser a própria empresa. O meu texto, que inclusive vai reproduzido no processo, diz textualmente:
"É inacreditável que o diretor de jornalismo da empresa que comete todo o tipo de abuso contra a democracia, contra a dignidade humana, a empresa que se empenha dia e noite para denegrir a imagem do Brasil, aqui e no exterior, cujos métodos de jornalismo fazem os crimes de Ruport Murdoch parecerem estrepolias de uma criança mimada, pretenda processar um blogueiro por causa de um chiste!"Ou seja, esses carinhosos epítetos são destinados à empresa, à Globo, e não a Ali Kamel. Ele vestiu a carapuça por sua conta. Ainda mais incrível, o processo tenta jogar a própria Justiça contra mim, ao dizer o seguinte:
"Como se não bastasse, o réu ainda afirma que a Justiça seria 'empregadinha dos poderosos'."Ora, Ali Kamel quer me processar por críticas ao Judiciário brasileiro? No caso, minhas críticas nem foram ao Judiciário em si, mas à decisão judicial de condenar Rodrigo Vianna. Prezado Ali Kamel, os adjetivos "sacripanta reacionário e golpista" não se referem à sua pessoa, visto que não lhe conheço, e sim ao cargo de diretor de jornalismo de uma empresa ao qual eu faço duras críticas políticas. Isso fica bem claro no texto. Continue a ler esta matéria aqui. Ler também: Comissão da ABI se solidariza com Miguel do Rosário.