O polêmico documentário "Fahrenheit 9/11", de Michael Moore, começa a ser exibido em mais 286 cinemas dos Estados Unidos nesta sexta. Mas os espectadores interessados que vivem em Grand Island, Nebraska, ou Marquette, Wisconsin, terão que ir a outra cidade para assistir ao filme em que Moore tece críticas ao governo Bush. As redes de cinemas GKC Theaters e Fridley Theaters decidiram não exibir o filme.
As duas redes, que não integram o plano inicial de lançamento da distribuidora americana Lions Gate, protestam contra o conteúdo do filme.
De acordo com o Web site da Fridley Theaters, a rede recebeu uma enxurrada de e-mails, telefonemas e cartas, algumas criticando e outras elogiando sua iniciativa. Em comunicado à imprensa, o dono da rede, Robert Fridley, disse que a empresa não vai exibir o filme porque considera que "Fahrenheit" é propaganda política.
"Sempre foi nossa política, e continuará a ser, recusar-nos a exibir o que vemos como filmes de propaganda política, seja qual for sua origem. Acreditamos que 'Fahrenheit 9/11' se enquadra nessa categoria", disse Fridley.
Em comunicado enviado a um jornal local, a presidente da GKC Theaters, Beth Karasotes, confirmou que sua rede, que possui 270 salas em 29 cinemas, não vai exibir o filme de Michael Moore enquanto o país estiver em guerra.
"Acreditamos na liberdade de Michael Moore de fazer este filme", disse Karasotes ao Mining Journal, do Michigan. "Acreditamos que nossos clientes vão reconhecer e respeitar nossa própria liberdade de não exibi-lo. Numa época de guerra, as tropas americanas no Iraque precisam de nosso apoio, sem divisões".
"Fahrenheit 9/11" estreou nos cinemas há duas semanas e já rendeu mais de 60 milhões de dólares. Sua ampliação para 2.011 cinemas está prevista para gerar outros 9 milhões de dólares neste fim de semana.
O presidente de lançamentos da Lions Gate, Tom Ortenberg, disse que, além das duas redes de cinemas do meio-oeste, alguns cinemas independentes também recusaram o filme.
"É um péssimo precedente pôr opiniões políticas pessoais acima das necessidades da comunidade", disse Ortenberg. "Isso suscita muitas questões, porque, em alguns casos, esses cinemas são os únicos em algumas dessas cidades pequenas".
Mas Fridley, pelo menos, não quer ser visto como alguém que está impondo censura.
"Não dizemos que Michael Moore não tenha o direito de fazer seu filme e distribuí-lo", disse Fridley. "Moore tem o direito de divulgar sua mensagem, do mesmo modo que nós nos reservamos o direito de não sermos seus mensageiros."