Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Alerta e solidariedade à Venezuela

Primeiro foi o líder cubano, o sempre bem informado Fidel Castro, que alertou para a possibilidade de um atentado orquestrado nos EUA contra a vida do presidente venezuelano Hugo Chávez. Logo em seguida, o próprio dirigente da revolução bolivariana confirmou a denúncia. (Leia Mais)

Terça, 29 de Março de 2005 às 16:03, por: CdB

Primeiro foi o líder cubano, o sempre bem informado Fidel Castro, que alertou para a possibilidade de um atentado orquestrado nos EUA contra a vida do presidente venezuelano Hugo Chávez. Logo em seguida, o próprio dirigente da revolução bolivariana confirmou a denúncia. Em 20 de fevereiro, no seu programa televisivo semanal Alô, presidente, ele foi categórico: "Se me matarem, haverá apenas um grande culpado nesse mundo: o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush". Chávez não divulgou provas concretas desse plano de magnicídio, mas garantiu ter informações seguras sobre a conspiração tramada nos EUA.

Rapidamente a grave acusação ganhou manchetes na mídia mundial e o reforço do renomado intelectual Ignácio Ramonet, diretor do jornal Le Monde Diplomatique. "O fato de que os falcões da laia de George Bush, Condoleezza Rice ou Roger Noriega retomem as suas ameaças neste momento é o sinal inegável de que o projeto de matar Chávez está em curso. É hora de denunciá-lo para os dissuadir de levar a cabo. Caso contrário, pelas veias abertas da América Latina voltarão a correr rios de sangue" [1]. Com ou sem provas, o certo é que há uma nova escalada dos EUA contra a Venezuela. E onde há fumaça há fogo!

Carniceiro no Brasil

A nova ofensiva do imperialismo ianque contra o governo venezuelano ficou patente na recente visita do Secretário de Defesa dos EUA, o carniceiro Donald Rumsfeld, a alguns países da América do Sul. Após ser ignorado por Nestor Kirchner e ser alvo de duros protestos na Argentina, ele manteve uma indigesta audiência com o presidente Lula em 23 de março. Segundo a mídia, um dos principais temas do estranho diálogo foi o aumento das tensões entre EUA-Venezuela. O falcão belicista criticou a compra de armas russas pelo governo do país vizinho e afirmou que Chávez é uma ameaça ao continente. Só faltou acusá-lo de ter "armas de destruição em massa", a desculpa alardeada para justificar o genocídio no Iraque!

Após um período de aparente trégua, o governo Bush retomou sua cruzada terrorista contra a Venezuela - país que atualmente realiza a experiência mais avançada na região de enfrentamento ao "império do mal" e aos dogmas neoliberais. O armistício decorria basicamente de três fatores: o crescente respaldo popular do presidente Chávez, que obteve estrondosa vitória no referendo revogatório de agosto e nas eleições de governadores e prefeitos em novembro; o aumento da crise energética, agravado pela invasão do Iraque, que dava novo fôlego à Venezuela, quarto maior exportador de petróleo do mundo; e o próprio processo sucessório nos EUA no final do ano passado [2]. Mas já era evidente que a trégua seria temporária!

Com a montagem de um gabinete ainda mais reacionário para o seu segundo mandato, nos últimos meses o governo Bush elevou o tom intervencionista contra a nação vizinha. Já em janeiro, a nova secretária de Estado, Condoleezza Rice, acusou o presidente Chávez de exercer "uma influência desestabilizadora" na região. Pouco depois, Roger Noriega, o fascistóide subsecretário de Estado para América Latina, declarou em entrevista ao canal CNN que o governo bolivariano "é motivo de preocupação para nossos parceiros nas Américas". Já a sinistra central de inteligência dos EUA, a CIA, também divulgou relatório acusando o presidente venezuelano de estimular o sentimento nacionalista e antiimperialista no continente.

Além da corrosiva retórica, no primeiro trimestre desse ano os EUA tentaram estimular um conflito entre a Venezuela e a Colômbia. O seqüestro de um militante das Farc em Caracas, num desrespeito à tradição de asilo político na América do Sul, quase gerou um confronto entre os países fronteiriços. A guerra seria o estopim para a intervenção armada dos EUA, que hoje já têm 800 "consultores militares" engajados no Plano Colômbia. A habilidade do governo venezuelano e a rápida mediação do Brasil abortaram o plano ianque - tanto que Washington emitiu uma no

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