Enquanto em Brasília a operação abafa do governo adia a abertura de uma CPI no caso da denúncia contra o ex-assessor de Assuntos Parlamentares, Waldomiro Diniz, no Rio - palco do flagrante -, os deputados agilizam uma investigação oficial.
O Colégio de Líderes da Assembléia Legislativa (Alerj) aprovou, nesta terça-feira, a criação de uma CPI para apurar denúncias de corrupção na Loteria do Estado do Rio de Janeiro. Diniz, exonerado semana passada em Brasília, foi presidente da Loterj em 2002, quando pediu propina ao bicheiro Carlinhos Cachoeira para financiar campanhas de um candidato petista ao governo de Mato Grosso.
Os deputados vão basear a linha de investigação na matéria publicada na revista Época da última sexta-feira. Diniz admitiu aos repórteres ter pedido R$ 100 mil ao bicheiro para a campanha de Geraldo Magela ao governo de Mato Grosso.
Nas gravações do vídeo, Diniz ainda pede 1% para ele. Em troca, o presidente da Loterj facilitaria a atuação do grupo de Cachoeira nas loterias virtuais do Rio - por telefone e internet. O MP investiga o contrato suspeito fechado em 2002.
O presidente da Alerj, Jorge Picciani (PMDB), justificou a decisão de abrir CPI porque o fato ocorreu no Rio de Janeiro e os parlamentares têm o dever de apurar as denúncias. Aliado da governadora Rosinha Garotinho, Picciani garantiu que ela nada tem a ver com a denúncia (Diniz cita o casal Garotinho na conversa com Cachoeira).
Os líderes do Colégio se reúnem nesta quarta para decidir quem será o relator da CPI.