A visita do vice-presidente brasileiro, José Alencar, de cinco dias à China, foi precedida de uma dura crítica do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, à política de juros do maior país socialista do mundo. Alencar desembarcou neste domingo em Xangai, onde presidirá a primeira comissão mista de cooperação entre os dois países. Na agenda das autoridades está previsto, segundo a chancelaria brasileira, uma reunião de Alencar com o presidente da China, Hu Jintao, o primeiro-ministro, Wen Jiabao, e o presidente da Assembléia Nacional Popular, Wu Bangguo, algo que costuma estar reservado a chefes de Estado e que reflete a importância que a China dá às relações com o Brasil.
Nas reuniões agendadas serão assinados acordos bilaterais em áreas como energia, recursos minerais, cultura, informação e comunicação, entre outros. Alencar também terá um encontro com o vice-presidente chinês, Zeng Qinghong, e junto com a vice-primeira-ministra Wu Yi vai inaugurar em Pequim a Comissão Chinês-Brasileira de Alto Nível de Coordenação e Cooperação (Cosban).
A comissão, com a qual os dois países querem impulsionar a chamada "aliança estratégica", é um mecanismo de diálogo criado durante a visita que o chefe de Estado do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, fez à China em maio de 2004. Na segunda-feira, Alencar se reunirá com as autoridades municipais de Xangai, o centro econômico, industrial e financeiro do país, e com a comunidade empresarial brasileira nessa cidade. A visita de Alencar tem um grande interesse econômico e acontece em um momento em que a China anunciou uma maior flexibilidade para a entrada da soja transgênica brasileira.
O Brasil realizou no ano passado exportações de soja para a China de cerca de US$ 1,7 bilhão, que representaram cerca de 25% de todas as suas vendas ao país asiático.O Brasil é o maior parceiro comercial da China na América Latina, com um volume de negócios avaliado em US$ 14,817 bilhões em 2005, segundo números oficiais chineses.
Embora a balança comercial beneficie, por enquanto, o Brasil (US$ 9,989 bilhões foram exportações brasileiras à China), os termos podem se inverter nos próximos anos, já que as exportações chinesas aumentam a um ritmo muito superior ao das importações (31,4% contra 15,2%).
Ataque
Presidente do Banco Central, Henrique Meirelles atacou a China para defender a política de juros altos e justificar os baixos índices de crescimento da economia brasileira. Para Meirelles, 9% de crescimento ao ano "é pouco" se for considerada a realidade chinesa de ausência de direitos trabalhistas, um enorme contingente de pessoas abaixo da linha da pobreza, a quase inexistência de Previdência Social e o caráter autoritário do regime.
Meirelles ressaltou, como único ponto positivo, o investimento em Educação, que seria o maior da história em termos de percentual do PIB, de acordo com dados do governo chinês.
- Algumas pessoas colocam a questão de por que o Brasil não cresce como outros países, entre eles a China. Acho a explicação muito simples, se olharmos para a China. A questão é saber por que a China cresce tanto - disse, declarou, em palestra na posse de Emilson Alonso, CEO do HSBC, na presidência da Associação Brasileira de Bancos Internacionais (ABBI), em São Paulo.