Rio de Janeiro, 06 de Setembro de 2026

Alencar classifica juros de bancos de "assalto" e quer pressão

Terça, 26 de Abril de 2005 às 13:17, por: CdB

Na mesma linha das últimas declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente e ministro da Defesa, José Alencar, defendeu nesta terça-feira uma pressão da sociedade contra os juros cobrados pelos bancos, que classificou de "um assalto".

- Não precisa fazer boicote... tem que haver uma pressão. O cidadão tem que saber que essas taxas são um assalto - disse o vice-presidente a jornalistas em uma feira sobre armamentos no Riocentro.

- A sociedade tem de reagir e nisso o presidente tem razão. Fazer com que a demanda caia, porque caindo a demanda obviamente cresceria a oferta e haveria a baixa dos juros. Isso é lei de mercado - acrescentou.

Na segunda-feira, Lula criticou aqueles que reclamam dos juros altos mas se conforma em pagá-los por meio do cartão de crédito, por exemplo.

O vice-presidente, por sua vez, criticou, ele mesmo, o atual patamar da taxa básica Selic, de 19,50 por cento ao ano.

- Paralelamente é preciso que a Selic caia. É um despropósito em relação ao mercado internacional.

Mas garantiu que "o governo não pretende interferir no mercado".

- Não vamos tabelar juros praticados pelos bancos. Quem tem de se defender é quem pega empréstimo. Mas eu sou a favor que se faça uma campanha de orientação dos tomadores porque eles não sabem onde estão se metendo... não há atividade produtiva capaz de remunerar as taxas de juros vigentes no Brasil - afirmou o vice-presidente.

- Um coitado que vai aí pagar essas taxas transfere todo seu esforço para o sistema financeiro. Nós temos de ajudá-lo a se defender através de uma campanha de orientação.

O vice-presidente também criticou o uso de índices de inflação como o IGP-M da Fundação Getulio Vargas (FGV) no reajuste de contratos e preços administrados. Para ele, qualquer atividade de mercado tem risco.

- Não deveria mais haver a figura da indexação como não há em países civilizados. Mas quando nós privatizamos telefonia, energia e outros serviços foi posta uma cláusula no contrato de concessão sobre a indexação pelo IGP-M. É o índice mais caro, mais alto. Mesmo se fosse pelo IPCA estaria errado. Isso contraria princípios de mercado. Toda atividade tem o seu risco.

Alencar voltou a dizer que a solução para a crise financeira da Varig será tomada pelo mercado.

- A solução é de mercado. Segundo a Varig, há vários candidatos a investir. Não temos nada para vender ou para comprar. Torcemos para que haja uma solução - acrescentou.

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