Rio de Janeiro, 11 de Setembro de 2026

Alencar avalia compra de caças usados

Segunda, 24 de Janeiro de 2005 às 19:09, por: CdB

A compra de caças usados e modernizados para o reequipamento do grupo de elite da aviação brasileira está de volta à agenda do vice-presidente e ministro da Defesa, José Alencar. O modelo é visto por Alencar como "uma solução eficiente e de baixo custo" para a questão, segundo disse um oficial da equipe de assessores dele.

Esse tipo de operação havia sido descartada pelo ex-ministro José Viegas no primeiro semestre de 2004. O vice-presidente e ministro da Defesa mantém a disposição de definir uma compra direta ao longo do ano "envolvendo aviões novos ou de segunda mão".

Depois da revelação da proposta americana para fornecimento aberto de tecnologia de última geração, mas embarcada a bordo de caças F-16A Falcon com 20 anos de uso, os demais concorrentes da extinta licitação FX para aquisição - por US$ 700 milhões - de 12 supersônicos, trataram de confirmar que podem dispor de oferecimentos iguais para aparelhos de segunda mão.

A competição perdeu validade dia 31 de dezembro, sem que fosse tomada nenhuma decisão.

Emirados

Nessa segunda-feira, na França, a corporação Dassault Aviation, fabricante dos caças Mirage, informou que está pronta a discutir a modernização de aeronaves da série 2000, usadas, que o Ministério da Defesa venha a adquirir no exterior para substituir os velhos MirageIIIE/Br atualmente empregados pela Força Aérea Brasileira (FAB) no 1.º Grupo de Defesa Aérea, da base de Anápolis (GO). O melhor negócio no mercado internacional é o proposto pelos Emirados Árabes Unidos: 12 unidades a US$ 8 milhões cada - e é bastante provável que o preço baixe para US$ 7 milhões se os negociadores brasileiros incluírem no pacote componentes e peças de reposição. Os Emirados têm para vender 22 jatos de ataque ao solo e interceptação aérea. O governo local está trocando os modelos mais antigos pelas variantes da série 2000-9.

Os Mirage 2000 revitalizados poderiam ser assimilados sem dificuldade no Brasil onde o arranjo mais antigo da mesma família de produtos é usado há 30 anos. Outra vantagem apresentada pela Dassault é que os sistemas avançados requisitados pela FAB podem ser incorporados aos aviões e depois resgatados para aproveitamento num modelo novo. Entre os recursos eletrônicos abrangidos, está o radar de combate que detecta a longa distância até 24 alvos simultâneos.

Suecos e russos haviam incorporado à documentação que caducou em dezembro no Ministério da Defesa a opção de transformação de versões antigas dos aviões. No processo russo, entravam o Su-30, em uso, principalmente, na Rússia e na Índia, um antecessor do Sukhoi-35 oferecido à FAB. Constava ainda a possibilidade de virem a ser comissionados os MiG-29 Fulcrum desativados pela Ucrânia em 2003 ou pela Alemanha em 2004.

Paralelamente, o Comando da Aeronáutica manteve acompanhamento do plano de cooperação mostrado a Viegas pela África do Sul com o jato Cheetah.

Um rearranjo do MirageIIIE com radar e turbina do fim dos anos 80, o avião pode ser negociado na faixa entre US$ 2 milhões e US$ 4 milhões - mas é visto como um projeto de engenharia superado pelo tempo.

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