Para o secretário de Segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, os laudos do Instituto Médico Legal (IML) não servem como prova de que a polícia teria executado pessoas na operação no Complexo do Alemão, ocorrida na semana passada.
Na quarta-feira, o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Rio, deputado Alessandro Molon (PT), encaminhou os documentos ao Ministério Público para que fossem investigados supostos "índícios de execução".
O argumento de Molon baseia-se em indicações, constantes nos laudos, de que os tiros teriam sido disparados a curta distância das vítimas. Para Beltrame, a perícia indica apenas os ferimentos que causaram a morte, não as circunstâncias.
— O laudo mostra apenas se foi morto com perfuração, por material contundente, etc. — O secretário argumentou que curta distância é algo relativo quando se fala em confrontos em locais de difícil acesso.
A polícia está sendo acusada pelos familiares das vítimas de ter matado inocentes e deixado alguns feridos. Na lista oficial dos mortos por policiais encontram-se três adolescentes de 13, 14 e 16 anos.
Na terça, a Secretaria Especial de Direitos Humanos recebeu um pedido da Secretaria Estadual de Segurança do Rio de Janeiro para que sejam indicados peritos para acompanhar o trabalho de investigação das 19 mortes ocorridas durante a operação nas favelas.