O Parlamento alemão aprovou nesta quarta-feira os planos do governo de enviar até 2,4 mil soldados da Força Aérea e da Marinha para o Líbano, livrando-se do último empecilho para uma missão considerada "histórica" pela chanceler Angela Merkel. Os soldados vão patrulhar a costa libanesa como parte da força da Organização das Nações Unidas (ONU), que está sendo mobilizada para atuar no sul do país e garantir a trégua que interrompeu os 34 dias de guerra entre Israel e o grupo militante Hizbollah, no mês passado.
Um contingente inicial de mil soldados partirá rumo ao Oriente Médio na quinta-feira, quebrando um tabu da Alemanha pós-guerra. Por causa do passado nazista do país europeu, é uma questão problemática enviar soldados alemães para uma região próxima a Israel.
- Talvez não haja nenhuma outra área do mundo em que a responsabilidade tão singular da Alemanha, de todo governo alemão, de aprender com as lições de nosso passado seja tão clara quanto aqui - disse Merkel num discurso.
Um total de 442 integrantes da Câmara baixa do Bundestag votou a favor da mobilização, com 152 votos contra e cinco abstenções. A coalizão governista tem grande maioria na Câmara. A resolução da ONU que levou à trégua determina que 15 mil soldados da organização atuem em conjunto com outros 15 mil soldados libaneses no sul do Líbano. Mas, na tentativa de evitar confrontos diretos com soldados israelenses, a Alemanha se recusou a enviar tropas terrestres. Assim, os alemães ficarão vigiando a costa para impedir a chegada de armas aos guerrilheiros do Hizbollah.
Merkel disse que a missão tem "dimensão histórica" e afirmou ao Parlamento que é obrigação da Alemanha contribuir para a força de paz da ONU e pressionar pela paz na região. Ela prometeu aos parlamentares que vai pressionar os EUA para que assumam um papel mais ativo na região.