Rio de Janeiro, 17 de Agosto de 2026

Alemanha reconhece genocídio armênio e irrita Turquia

O Bundestag (Parlamento alemão) aprovou nesta quinta-feira, quase por unanimidade, uma resolução que classifica de genocídio o massacre perpetrado

Quinta, 02 de Junho de 2016 às 08:15, por: CdB

Quase por unanimidade, Parlamento alemão quebra tabu e aprova resolução que passa a chamar massacre de cristãos por otomanos na Primeira Guerra de genocídio. Ancara diz que decisão é erro histórico

Por Redação, com DW - de Berlim:

O Bundestag (Parlamento alemão) aprovou nesta quinta-feira, quase por unanimidade, uma resolução que classifica de genocídio o massacre perpetrado há um século pelo Império Otomano contra a minoria armênia.

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"Reconhecimento agora": armênios acompanharam os debates no Parlamento alemão

Rapidamente rechaçada pelo governo turco como "um erro histórico", a decisão ameaça arranhar ainda mais as relações entre Ancara e Berlim, desgastadas no último ano devido à crise migratória e ao debate sobre que papel cada país deve ter no acolhimento de refugiados.

De maioria muçulmana, o atual Estado turco admite que cristãos armênios morreram em combates com soldados otomanos a partir de abril de 1915, durante a Primeira Guerra Mundial. Mas rejeita declarações de governos estrangeiros que classificam as mortes, estimadas por historiadores entre 800 mil e 1,5 milhão, de genocídio.

– A resolução adotada pelo Parlamento alemão vai abalar seriamente as relações entre Alemanha e Turquia – afirmou o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan. Em tom ainda mais firme se manifestou o ministro das Relações Exteriores, Mevlut Cavusoglu: "O caminho para virar páginas escuras em sua própria história não é manchar a história de outros países com decisões parlamentares irresponsáveis e infundadas."

A resposta turca à resolução, aprovada com apoio de todos os partidos do Parlamento e apenas um voto contra, foi chamar de volta a Ancara seu embaixador em Berlim para consultas.

A chanceler alemã, Angela Merkel, minimizou o atrito causado pela decisão."Há muitas coisas que conectam Alemanha e Turquia e, mesmo que haja diferença de opinião em um determinado tema, nossa relação, amizade e laços estratégicos são ótimos", afirmou Merkel, em entrevista coletiva ao lado do secretário-geral da Otan, Jens Soltenberg.

Até que a coalizão de Merkel decidisse impulsionar a resolução, no ano passado, a posição oficial do governo alemão era de lamentar o ocorrido, mas sem mencionar a palavra genocídio, nem de forma oral nem escrita. Num país em que a reconciliação com passado é reiterada todo momento, a postura era constantemente alvo de críticas.

Mas a Alemanha tem problemas com a palavra. Há tempos Berlim vinha se movimentando com muito cuidado sobre um terreno político minado. Não se queria estragar a relação com a Turquia, membro da Otan. Assim como o relacionamento com os mais de 3 milhões de cidadãos de origem turca que vivem na Alemanha. Há, ainda, o envolvimento alemão, então aliado do Império Otomano, na catástrofe dos armênios, que pode ser passível de pagamentos de reparações.

Genocídio dos armênios é a interpretação oficial em mais de 20 países, incluindo França, Suíça e Brasil. O termo "genocídio" foi definido pela ONU em 1948 como atos cometidos com a intenção de destruir, total ou parcialmente, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso.

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