Rio de Janeiro, 14 de Maio de 2026

Alemanha mantém candidatura à ONU

Sexta, 05 de Agosto de 2005 às 07:22, por: CdB

O chanceler (primeiro-ministro) alemão, Gerhard Schroeder, insistiu na sexta-feira que Berlim manterá sua candidatura a uma vaga permanente no Conselho de Segurança, mas reconheceu que isso pode demorar.

Nesta quinta-feira, líderes africanos rejeitaram o assédio de Alemanha, Brasil, Japão e Índia para apoiar o plano do chamado G4 para a criação de seis novas vagas permanentes no principal órgão da ONU - para os quatro países, mais dois africanos. Estados Unidos e China são contra a proposta.

- É realmente hora de que a história do pós-guerra seja finalmente superada dentro do Conselho de Segurança da ONU - disse Schroeder sobre o Conselho de 15 membros, cuja composição reflete o equilíbrio de poder existente em 1945.

- Agora precisamos ver se podemos levar isso adiante no interesse de nós quatro, porque não se trata só da Alemanha. Pode levar mais tempo. Se precisarmos de mais tempo, vamos esperar - disse ele em entrevista coletiva em Kassel (centro da Alemanha).

Schroeder argumenta que a Alemanha, unificada há mais de dez anos, merece mais influência em organismos multilaterais. Mas analistas dizem que sua capacidade de negociação está prejudicada pelas pesquisas que apontam sua derrota na eleição de 18 de setembro.

O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, pediu que os países concluam os às vezes ríspidos debate sobre a reforma antes da cúpula da ONU prevista para setembro.

Sem o apoio da União Africana, o G4 dificilmente contará com os dois terços dos votos necessários na Assembléia Geral da ONU, que reúne todos os 191 países. Mesmo que a proposta passe na Assembléia, pode ser barrada no Conselho, onde EUA e China têm poder de veto.

Em seus sete anos de governo, a coalizão alemã de centro-esquerda revolucionou a diplomacia adotada desde o final da Segunda Guerra Mundial pelo país. Antes ausentes de missões internacionais de paz, os militares alemães hoje estão presentes em áreas como Afeganistão e os Bálcãs.

Em um raro desafio de um líder alemão a Washington, Schroeder se opôs à guerra do Iraque, o que levou a uma deterioração das relações germano-americanas.

Schroeder criticou durante a oposição conservadora alemã por não apoiar a campanha por uma vaga permanente no Conselho de Segurança. A candidata conservadora ao governo, Angela Merkel, se alinha com a postura norte-americana de que é necessária uma reforma mais ampla da ONU.

- Qualquer um que prejudique o governo dessa forma por razões puramente político-partidárias mostra que é incapaz de representar os interesses alemães - disse Schroeder.

A oposição do chanceler à guerra do Iraque foi um fator essencial para a sua reeleição, em 2002. Mas as pesquisas dizem que o Iraque e a política externa em geral não devem ter grande influência no pleito de setembro.

Tags:
Edições digital e impressa