Rio de Janeiro, 07 de Outubro de 2026

Alemanha lembra 100 anos da morte do "pai da ortografia"

Segunda, 01 de Agosto de 2011 às 09:37, por: CdB

A Alemanha relembra nesta segunda-feira (01/08) os cem anos da morte de uma importante figura na história do país: Konrad Duden, o "pai da ortografia alemã".

Conhecido por sua inteligência, bom humor e pelos seus trocadilhos, o filólogo foi o responsável pelo primeiro dicionário de língua alemã após a unificação de 1871, adotado oficialmente em 1903. Após 25 edições e mais de cem anos de história, "Duden" virou um carinhoso sinônimo para dicionário.

A padronização ortográfica marcou alguns momentos importantes da história da Alemanha. Ela foi fundamental, por exemplo, na propaganda nazista nos anos 30 e 40. Com a divisão do país após a Segunda Guerra Mundial, o Duden ganhou pela primeira vez duas versões: a editada em Leipzig, no Leste alemão, chamada de Duden Oriental, e a de Mannheim, Duden Ocidental. Com a reunificação das duas Alemanhas, também aconteceu a reunificação dos Duden em 1991. Mais robusta que as anteriores, a 20º edição reunia os vocabulários das duas partes do país. Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  O filólogo Konrad Duden queria unificar a ortografia alemã

O Duden atual (25ª edição, de 2009) tem mais de 1,2 mil páginas e 135 mil verbetes – todos realmente estabelecidos na língua alemã, e não apenas gírias ou termos efêmeros.

Miscelânea ortográfica

Nascido no dia 3 de janeiro de 1829 em Wesel, no oeste da Alemanha, Konrad Duden passou por diversas cidades alemãs durante sua formação educacional e profissional. Estudou em Bonn, foi professor em Frankfurt e Gênova, trabalhou em uma escola em Soest e, aos 40 anos de idade, assumiu o posto de diretor de uma escola de ensino médio na cidade de Schleiz, na Turíngia. Naquela época, praticamente cada um dos mais de 30 estados alemães, cada editora e cada instituição pública tinham regras ortográficas próprias.

Logo após a formação do 2º Império Alemão, em 1871, a ortografia da Alemanha recém-unificada era uma verdadeira colcha de retalhos. Inconformado com a miscelânea, Duden resolveu fazer uma compilação de regras sob o título A Ortografia Alemã: tratados, regras e glossário com informações etimológicas. Naquele momento, porém, seu conjunto de regras recebeu pouca atenção.

Em 1876, ele aceitou a proposta para ser o diretor de uma escola de ensino médio em Hersfeld, na antiga Prússia, para onde se mudou com a esposa e os seis filhos. Duden passou então a ter contato direto com importantes autoridades da área educacional do império germânico, às quais ele apresentou suas propostas.Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Até 1903, cada estado estabelecia as próprias regras

Naquele mesmo ano, ele foi convidado para participar como especialista na 1º Conferência Ortográfica, em Berlim. Lá, ele defendeu uma linha liberal: "Escreva como você fala". A ideia, no entanto, era exatamente oposta ao princípio histórico predominante, que se orientava pela escrita clássica – considerada aristocrática por Duden. Por conta das inúmeras controvérsias, a conferência acabou fracassando.

Em vez de reclamar, Duden decidiu insistir por outro caminho: em 1880, ele concluiu o Completo dicionário ortográfico da língua alemã. O livro trazia um conjunto de mais de 27 mil verbetes, observando tanto as regras ortográficas na Prússia como as da Baviera. O dicionário foi apresentado na 2ª Conferência Ortográfica em 1901.

Dois anos mais tarde, seria reconhecido como ortografia oficial alemã. Em 1929, seria publicada a décima edição, ou seja, O grande Duden. Apenas com a reforma de 1998 as regras na escrita do país sofreram modificações.

Foram acalorados os debates que levaram à reforma das regras organizadas por Duden. As modificações que passaram a valer até hoje não agradam a todos. Elas foram revistas em 2006, após recomendação do Conselho de Ortografia, órgão que observa o desenvolvimento da língua escrita.

Quando Konrad Duden faleceu, aos 82 anos em 1º de agosto de 1911, ele havia quase finalizado a nona edição de seu dicionário, que seria publicado quatro anos depois.

MS (afp/dpa)
Revisão: Roselaine Wandscheer 

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