Após 60 anos do fim da Segunda Guerra Mundial, a Alemanha cria uma monumento para recordar o pior dos crimes nazistas, o Holocausto. O Memorial do Holocausto, formado por 2.711 blocos de cimento cinza, será inaugurado nesta terça-feira.
Pelo menos mil convidados procedentes de todo o mundo participam da cerimônia de inauguração do monumento, no coração de Berlim, em meio a severas medidas de segurança.
Sobreviventes do holocausto, representantes de comunidades judaicas e diversas autoridades alemãs, incluindo o presidente Horst Kohler, o chanceler Gerhard Schroeder e o ministro das Relações Exteriores Joschka Fischer, participam do ato de inauguração.
O monumento, criado pelo americano de origem judaica Peter Eisenman, está situado a poucos metros da antiga chancelaria de Hitler e do bunker no qual o líder nazista cometeu suicídio, no dia 30 de abril de 1945.
Com 95 centímetros de largura e 2,38 metros de comprimento, os blocos têm alturas variadas de até 4,7 metros e ficam separados por 95 centímetros, formando um grande labirinto.
Sob os blocos, há uma galeria com fotos, nomes e destino das vítimas do holocausto, mas qualquer visitante precisaria de seis anos e sete meses para ler tudo o que está lá.
Depois da Segunda Guerra Mundial, a área se tornou parte fronteira entre a República Democrática da Alemanha e a Alemanha Ocidental. O limite era conhecido como "linha da morte", uma alusão ao destino de quem tentava cruzá-la.
No subsolo abaixo dos blocos de granito, que pesam oito toneladas cada um, foi construído um museu, que documenta a perseguição aos judeus pelo regime nazista. Isso é feito revelando-se destinos individuais de vítimas do Holocausto.
O monumento custou 27,6 milhões de euros e estará aberto à visitação pública a partir de quinta-feira.
A idéia da homenagem aos judeus foi lançada em 1988 pela jornalista Lea Rosh. Desde então, os debates vieram em série: sobre a oportunidade do projeto, sobre seu financiamento, sobre sua aparência e sobre a conveniência de dedicá-lo aos 6 milhões de vítimas judias do Holocausto, mas não aos eslavos, comunistas, homossexuais, ciganos e demais grupos perseguidos pelo nazismo.
O ex-chanceler (ex-chefe de governo) Helmut Kohl vetou o projeto original. A descoberta de um velho bunker nazista no local trouxe mais atrasos. O maior constrangimento, porém, foi a presença, entre os fornecedores, de uma empresa que fabricou para o regime nazista o gás Zyklon B, usado nos campos de extermínio.