Rio de Janeiro, 03 de Novembro de 2026

Alemanha e França adotam linha conciliatória em relação à China

Cadeia de protestos e contraprotestos que acompanha a tocha olímpica se torna mais densa. Alarmados por boicotes na China, líderes ocidentais adotam tom mais brando. Mídia ocidental torna-se vilã da história.

Terça, 22 de Abril de 2008 às 06:38, por: CdB

O ministro alemão das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, aconselhou prudência ao tratar do delicado assunto "China e as Olimpíadas". Ele explicou que o Comitê Olímpico Internacional designa como sede dos jogos países cujo desenvolvimento constitucional não é tão avançado quanto o do Ocidente "porque queremos que esses países continuem a se abrir mais, devido ao grande evento esportivo e à atenção da imprensa mundial".

- Temos que sustentar nossa decisão - afirmou o ministro ao jornal Westdeutsche Allgemeine Zeitung, acrescentando que as nações do Ocidente discutem há décadas com Pequim questões como os abusos dos direitos humanos e o movimento pela independência do Tibet.

Steinmeier disse considerar como tarefa sua reduzir as tensões entre o Tibet e o governo chinês. O conflito desencadeou protestos em todo o mundo e especialmente nas cidades ao longo da trajetória da tocha olímpica. Seu trabalho é facilitado pelo desejo da China de transformar as Olimpíadas 2008 num sucesso, assegurou o político alemão.

Prosperidade valiosa

- Precisamos continuar tentando convencer os chineses. Tive três conversas telefônicas com o ministro chinês do Exterior, pedindo-lhe que não empregue força [ao lidar com os manifestantes] - comentou Steinmeier.

Ele considera "inaceitável" a escalada quase diária da situação, porém apelou também aos governos ocidentais para que se mantenham cônscios da mudança de ares que ocorre na sociedade chinesa.

- Num espaço muito curto de tempo, o país levou 300 milhões de pessoas da amarga miséria a uma modesta prosperidade - declarou. Assim, uma grande parcela do mundo voltou os olhos para a China com interesse e simpatia.

Sarkozy retrocede

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, parece retroceder em sua linha dura, à medida que o sentimento antifrancês se acumula em Pequim. Os chineses iniciaram boicotes à cadeia de supermercados Carrefour e durante este fim de semana promoveram numerosas manifestações diante das lojas do gigante varejista francês.

Antes, Sarkozy instara o governo chinês a dialogar abertamente com o Dalai Lama, sugerindo que seu país talvez boicotasse a cerimônia da abertura das Olimpíadas, programada para 8 de agosto, em Pequim. Agora, ele enviou à China o ex-primeiro-ministro Jean-Pierre Raffarin e o conselheiro presidencial para assuntos externos, Jean-David Levitte, a fim de acalmar as tensões bilaterais.

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