A chanceler alemã, Angela Merkel, e o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, alertaram nesta quarta-feira sobre o risco de contágio financeiro a menos que a crise de dívida da zona do euro seja estancada na Grécia. Merkel disse ao parlamento que o futuro da Europa está em jogo em meio à pior crise nos 11 anos de vida do bloco, acrescentando que outros países podem sofrer a mesma situação que a Grécia se o pacote de resgate ao país não funcionar.
Merkel, que muitos analistas culpam por agravar a crise devido à demora em conceder ajuda à Grécia, disse ainda que o sucesso do pacote determinará "nada menos que o futuro da Europa e, assim, o futuro da Alemanha na Europa".
– Estamos em uma encruzilhada – disse ela durante o debate sobre a aprovação da contribuição de 22 bilhões de euros de Berlim ao pacote grego.
Sem o pacote, uma "reação em cadeia ameaçaria desestabilizar os sistemas financeiros europeu e mundial", acrescentou ela. O diretor-gerente do FMI reconheceu o risco de a crise se espalhar para outros países europeus, mas disse não ver ameaça real a grandes economias, como Alemanha e França.
– Sempre há risco de contágio. Portugal foi mencionado, mas já está tomando medidas, e outros países estão em uma situação muito mais sólida. Nós temos de ter sucesso em evitar o contágio... mas nós devemos continuar vigilantes – disse Strauss-Kahn ao jornal francês Le Parisien.
Strauss-Kahn criticou os países da zona do euro por cobrarem uma taxa de juros de 5 por cento nos empréstimos à Grécia, uma medida tomada sobretudo por insistência da Alemanha.
– Eu acho que a taxa com a qual os europeus emprestam deve ser igual à do FMI, que é menor em mais de meio ponto – completou ele.