Mil e quinhentos alemães vivem um pesadelo com a compra pela Alemanha de um CD mostrando terem capitais em conta secreta suíça, sem declarar ao fisco para escapar aos impostos.
As relações entre a Suíça e a Alemanha se deterioraram nestes dias, depois da decisão da chanceler Angela Merkel de comprar um CD, contendo informações bancárias sobre contas de 1500 alemães fraudadores do fisco, com contas secretas em bancos suíços. Outro CD, segundo se divulgou neste fim-se-semana, foi oferecido ao governo alemão com mais dois mil nomes de fraudadores do fisco com capitais na Suíça.
Tentando salvar o pouco que resta de seu segredo bancário, depois das pressões norte-americanas e francesas, a Suíça foi novamente apanhada em flagrante delito de guardar nos seus cofres capitais provenientes de evasões fiscais de seus vizinhos, pois há um mês foi a França que comprou de um informático as informações sobre 1300 contas secretas de francesas.
Desesperado e desmoralizado, o governo suíço tenta salvar seu já fragmentado e moribundo segredo bancário com novos acordos bilaterais e descontos indiretos nas contas de depositantes europeus, mas os últimos escândalos e o surgimento dos vendedores de informações tornam praticamente impossível manter-se o que resta do rendoso sigilo bancário criado em 1934.
Depois das denúncias de seus próprios clientes ao governo americano pelo banco UBS, o clima de confiança junto aos seus clientes foi rompido e montanhas de capitais estrangeiros fogem da Suíça e desaparecem como as geleiras do Artico.
A recente anistia dos governos italiano e holandês aos detentores de capitais repatriados da Suíça esvaziou os bancos suíços de mais alguns mil milhões de euros.
O ministro suíço das Finanças, Hans Rudolf Mertz, considerado o mais fraco do colegiado de sete ministros dirigentes da Suíça, usa uma linguagem moderada para não se dizer submissa-
"A situação entre os dois governos, entre os dois países é boa, não se deve conturbá-la. Não se deve colocá-la em perigo, isso não serve para nada, nem para a Alemanha e nem para a Suíça. A solução seria de se ter um novo acordo de dupla tributação de acordo com o modelo da OCDE e assim a Alemanha não seria mais obrigada a apresentar tais exigências e assim se evitará tais conflitos no futuro, desde que avancemos dentro do tratado de dupla tributação", diz o ministro suíço.
Já não é a mesma linguagem do novo ministro do Interior, Didier Burkalter, que critica a compra do CD com informações bancária.
"Acho que o fato de utilizar dados obtidos de maneira ilegal é alguma coisa chocante. Acho também que as relações que temos, no caso presente com a Alemanha, devem ser estabilizadas mas para isso é preciso tornar bem clara a situação e acho que o acordo de dupla imposição que estamos fazendo e que soluciona a questão, eliminando as diferenças e divergências entre fraude e evasão é algo que nos permite avançar.
Há um debate atual na Alemanha sobre a sequência desse acordo, deve-se deixar que ele prossiga e deixar que as relações com a Alemanha se esclareçam e se estabilizem, para que não se deteriorem, pois tinham melhorado nos ultimos e não devem agora se deteriorar seriamente".