Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

Alemanha cobra explicação dos EUA sobre suposto agente duplo

O governo da Alemanha exige esclarecimentos de Washington sobre o caso do funcionário do serviço secreto alemão preso por suspeita de vender documentos sigilosos aos EUA. O ministro do Interior da Alemanha, Thomas de Maizière, o presidente alemão, Joachim Gauck, e o ministro do Exterior, Frank-Walter Steinmeier, cobraram explicações do governo norte-americano. O portal de notícias Spiegel Online noticiou neste domingo que a chanceler federal alemã, Angela Merkel, se disse "chocada" com o caso.

Domingo, 06 de Julho de 2014 às 09:46, por: CdB
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Governo da Alemanha exige esclarecimentos sobre caso do funcionário do serviço secreto alemão preso por suspeita de passar dados sigilosos aos norte-americanos
O governo da Alemanha exige esclarecimentos de Washington sobre o caso do funcionário do serviço secreto alemão preso por suspeita de vender documentos sigilosos aos EUA. O ministro do Interior da Alemanha, Thomas de Maizière, o presidente alemão, Joachim Gauck, e o ministro do Exterior, Frank-Walter Steinmeier, cobraram explicações do governo norte-americano. O portal de notícias Spiegel Online noticiou neste domingo que a chanceler federal alemã, Angela Merkel, se disse "chocada" com o caso. - Espero que todos colaborem de forma rápida para o esclarecimento das acusações e que haja também explicações imediatas e inequívocas dos EUA - apelou o ministro Thomas de Maizière, em entrevista ao jornal Bild, a ser publicada na edição desta segunda-feira. "Agora chega" Em entrevista ao canal de televisão estatal alemão ZDF, o presidente da Alemanha, Joachim Gauck, alertou que, se as suspeitas forem confirmadas, os EUA estão colocando em risco a amizade com a Alemanha. "Chegou a hora de dizer, 'agora chega'", avisou o chefe de Estado. Até agora, a Casa Branca e o Departamento de Estado dos EUA se recusaram a comentar a prisão de um funcionário do Departamento Federal de Informações (BND, na sigla em alemão), na quarta-feira, acusado de vender informações sigilosas para o serviço secreto dos EUA. Segundo a agência de notícias alemã DPA, o homem preso confessou ter encaminhado, durante mais de dois anos, 218 documentos ao serviço secreto americano, em troca de 25 mil euros. - Caso as informações forem verdadeiras, então estaremos falando de algo que não é coisa pequena", disse neste domingo o ministro do Exterior alemão, Frank-Walter Steinmeier, durante visita à Mongólia. Ele cobrou que os EUA colaborem no esclarecimento do incidente "o mais rápido possível". "Para seu próprio interesse, os Estados Unidos devem cumprir sua obrigação em cooperar - afirmou. Laços já estremecidos O incidente corre o risco de provocar mais tensões no relacionamento entre os dois países, já estremecido pela revelação, no ano passado, de que a NSA realizou operações de espionagem em grande escala dentro da Alemanha tendo, inclusive, grampeado o celular da chanceler Angela Merkel. A chefe de governo alemã teria se mostrado "desapontada" e "chocada" com o caso, escreveu neste domingo o portal Spiegel Online, edição eletrônica da revista Der Spiegel, citando membros da delegação de executivos e deputados que acompanha Merkel em uma viagem à China. "Durante o voo rumo ao país asiático, o grupo teria tido uma longa conversa com a chanceler", informa a publicação. A ex-secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, afirmou durante um evento em Berlim, que soube do caso pela mídia, mas que, se a suspeita for confirmada "se trata claramente de um assunto sério" e que as relações entre a Alemanha e os Estados Unidos nas áreas de serviços de segurança e de inteligência "não devem ser comprometidas". De acordo com o jornal Bild am Sonntag, o funcionário do BND preso trabalhava para a Agência Central de Inteligência dos EUA (CIA). Ele teria confessado que encaminhou aos americanos dados sobre a comissão de inquérito do Parlamento alemão que investiga as atividades na Alemanha da Agência de Segurança Nacional (NSA) dos Estados Unidos.
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