Um tribunal alemão confirmou nesta quinta-feira a absolvição de um marroquino acusado de cumplicidade com os ataques de 11 de setembro de 2001, mas as autoridades disseram que mesmo assim vão expulsá-lo do país.
Em mais um revés para a promotoria em casos de terrorismo na Alemanha, o tribunal federal manteve a sentença emitida no ano passado por uma corte de Hamburgo que inocentava Abdelhani Mzoudi. A promotoria recorrera argumentando que o veredicto anterior era falho e pedia novo julgamento.
Apesar da decisão, a secretaria do Interior de Hamburgo disse que a cidade vai levar adiante a expulsão de Mzoudi, apontado pelas autoridades como um perigoso apoiador de "um grupo terrorista". O porta-voz disse que ele será deportado em duas semanas se não sair voluntariamente.
- Ele pode ir para onde quiser, não nos importamos. Ele só tem que sair da Alemanha, porque representa um perigo para o povo alemão e para a segurança alemã - disse um porta-voz.
Mzoudi era amigo de Mohamed Atta, líder dos sequestradores do 11 de Setembro, e de outros militantes da célula de Hamburgo da Al Qaeda, responsável pelo ataque que matou quase 3.000 pessoas nos Estados Unidos. Ele diz que nunca tomou ciência do complô.
O marroquino foi absolvido em fevereiro de 2004 das acusações de cumplicidade com o ataque e ligação com um grupo terrorista.
O juiz o descreveu na época como uma "figura secundária" e o libertou por falta de provas, não porque a corte estivesse convencida de sua inocência.
A absolvição provocou tensões entre Alemanha e Estados Unidos, por causa da recusa norte-americana, por razões de segurança, em permitir que líderes capturados da Al Qaeda depusessem no julgamento ou prestassem informações. A promotoria alemã considerou "incompreensível" essa decisão dos EUA.
Mzoudi era acusado de ter recebido treinamento da Al Qaeda no Afeganistão - o que ele não confirma nem nega - e de pagar contas para os conspiradores de Hamburgo. Seus advogados afirmam que ele estava apenas ajudando irmãos muçulmanos que como ele vivem no exterior.