O plenário da Câmara dos Deputados aprovou, na manhã desta terça-feira, o requerimento do Conselho de Ética que pede a prorrogação por 45 dias do prazo para a conclusão dos processos disciplinares contra os deputados José Dirceu (PT-SP), Sandro Mabel (PL-GO) e Romeu Quiroz (PTB-MG). Todas as bancadas votaram a favor do requerimento. O presidente do Conselho de Ética, deputado Ricardo Izar (PTB-SP) disse que agora os parlamentares poderão trabalhar "mais tranqüilos".
- Nós podemos trabalhar sossegados, sem nos preocupar com o Supremo e com recursos. Esse pedido foi apenas preventivo - afirmou. Segundo ele, o prazo começa a contar a partir do dia 9 deste mês. Izar acredita que não será necessário utilizar os 45 dias.
O deputado Nilson Mourão votou contra a prorrogação e chegou a questionar a legalidade da prorrogação, mas o presidente da Casa, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) disse que o pedido do Conselho de Ética está de acordo com o Regimento da Casa. Segundo Rebelo, a relação entre os poderes é "de harmonia e independência". Perguntado se a Câmara estava tendo essa autonomia na condução do processo de cassação do mandato de Dirceu, Aldo respondeu afirmativamente, em confronto com as reclamações dos membros do Conselho.
- Eu acho que a Câmara está tendo autonomia sim - disse.
Rebelo deixou surpreso até o deputado José Dirceu, ao determinar a votação do pedido de prorrogação do prazo de conclusão de seu processo no Conselho. O pedido foi aprovado depois que o líder do PT, Henrique Fontana (RS), encaminhou favoravelmente. Mesmo com a aprovação do pedido do presidente do Conselho de Ética, Ricardo Izar (PTB-SP), de mais 45 dias no Conselho, o deputado Luiz Sérgio (PT-RJ) recorreu à Comissão de Constituição e Justiça contra a decisão de Aldo de indeferir a questão de ordem encaminhada à Mesa pelo deputado Nilson Mourão (PT-AC) contra a prorrogação.
- Encaminhamos a favor da prorrogação porque a gente não queria dar um sinal de que estava contra as investigações - disse Fontana.