Presidente da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo (PCdoB-SP) contestou nesta quinta-feira a existência de pagamentos do PT para a compra de votos de deputados, o chamado "mensalão". Nesta quarta-feira, o relator da CPI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), divulgou relatório em que comprovaria a existência do mensalão, incluindo a compra de votos e a mudança de partidos no esquema de repasse de recursos pelo PT a partidos aliados.
- Não houve pagamento para votações. Continuo sem acreditar que isso tenha ocorrido até porque ainda não foi comprovado em nenhum lugar. Os partidos trocaram recursos para saldar dívidas de campanha - disse Rebelo durante um balanço do ano, em entrevista a jornalistas.
Aldo Rebelo observou que, quando foi líder do governo, em 2003, a Câmara só aprovou matérias difíceis, como as reformas da Previdência e tributária, com o apoio da oposição. Para Rebelo, a investigação das denúncias sobre o "mensalão" não prejudicou os trabalhos legislativos em 2005. Ele citou como exemplo a aprovação da Lei de Biossegurança, que disciplina o uso, a pesquisa e a exportação de organismos geneticamente modificados, e também a legislação que permitiu a criação de consórcios de municípios, Estados e da União para melhorar a infra-estrutura e o saneamento básico.
- Não adianta aprovar centenas de leis inócuas. O importante não é o número de leis, mas a qualidade das leis aprovadas. A Câmara não é uma linha de montagem de legislação - sustentou.
Participação popular
O presidente receitou como saída para a crise vivida em 2005 o aumento da participação popular na política.
- Quem atua na política está em contato quase que carnal com a tragédia, mas não há como substituir a política - afirmou.
Aldo observou que, ao mesmo tempo em que as investigações exibiram os vícios do Poder Legislativo, também demonstraram a força na averiguação das denúncias.
- A atitude de investigar os próprios integrantes com rigor e transparência é única no Brasil. Normalmente, as corporações buscam proteger seus integrantes; já a Câmara procura investigar e punir - ressaltou o presidente.