O promotor de Justiça no Pará Túlio Novaes, em entrevista, nesta quinta-feira, acusou a empresa transnacional Alcoa de alterar profundamente a vida das comunidades de Juruti Velho (PA), no Oeste do Estado. A companhia siderúrgica atua na região desde 2002 e "é mais um exemplo do capital internacional atuando no Brasil sem nenhuma responsabilidade com o meio ambiente e com a população que vive nos locais onde este se instala", afirmou o promotor.
A Alcoa, umas das líderes mundiais na produção de alumínio, fixou-se na região com a intenção de explorar a grande quantidade do minério Bauxita existente no local, fato que mudou a realidade das comunidades que vivem em Juruti Velho. Novaes, afirmou que a licença ambiental concedida à empresa nunca poderia ter sido concedida, "pois considerou somente aspectos geológicos e ecológicos, deixando de lado uma avaliação dos impactos sociais e econômicos que estão gerando graves problemas para as comunidades de Juriti Velho", disse.
- A empresa, quando chegou na região de Juruti, desestruturou completamente a vida social e econômica daquelas pessoas, os produtos e o custo de vida em modo geral aumentou estupidamente pois foi nivelado conforme o poder aquisitivo dessas pessoas que vieram de fora, um poder aquisitivo muito além do que é evidenciado para as pessoas tradicionais do local. Não é só isso, em Juriti Velho as construções dessas obras infra-estruturais da empresa causaram um impacto ambiental e social - afirmou.
Entre os impactos ambientais e sociais, segundo o promotor, estão áreas imensas completamente devastadas, com autorização formal do Estado. Nós temos notícias que madeiras foram enterradas em vez de serem doadas para a comunidade. A circulação dos habitantes originais de Juruti Velho, nos seus locais tradicionais de coletas, foi prejudicada porque a empresa inviabilizava até mesmo o trânsito das pessoas - disse.
O promotor acusa, frontalmente, a administração estadual pelas falhas encontradas no processo de instalação da indústria na região.
- O Estado tem que exercer seu poder fiscalizatório, seu poder de polícia. Essas liberações não podem ser concedidas à torta e à direita, elas devem ter um critério técnico rigorosíssimo para que elas ocorram, os critérios políticos devem ser os últimos detalhes a serem evidenciado. O critério deve ser técnico, as comunidades devem ser ouvidas antes das concessões dessas licenças - afirmou.
Em sua defesa, a empresa publicou, no passado, nota na qual assinala a suspensão de novas audiências públicas para debater o assunto, em uma decisão da maioria do Conselho Estadual de Meio Ambiente do Pará. "Dos 11 integrantes do Coema presentes, nove votaram contra a nova audiência, sendo favoráveis apenas o promotor Raimundo Moraes, coordenador de meio ambiente do Ministério Público do Estado, e o representante das organizações não-governamentais (ongs) no Coema, Pinon Friaes", alega a empresa.
A companhia analisa, ainda, "a possibilidade de, no futuro, instalar em Juruti uma unidade de produção de alumina e outra de alumínio", diz o comunicado.