Está sendo mal recebida - e nem poderia ser diferente - a decisão do governador tucano Geraldo Alckmin de aumentar de 3% para 12% a taxa de privatização de atendimentos no complexo hospitalar do Hospital das Clínicas (HC-USP), o maior centro médico do país e um dos maiores da América Latina.
Além do viés privatizante, inerente ao DNA do PSDB, o governador tomou a decisão porque os tucanos acham que esta é a solução para o mau e moroso atendimento prestado hoje pelo complexo do HC, onde pacientes do SUS e do atendimento pela rede pública, em geral, têm de esperar entre 8 e 14 meses para fazer exames especializados como, por exemplo, os cardíacos infantis.
A decisão do governador paulista requer uma análise sob dois aspectos: 1º, ele tem que cuidar da saúde pública, é seu dever, foi eleito para isto, para fazer avançar o SUS e não para ficar privatizando e elitizando a Saúde; 2º, isso não significa que os hospitais do Estado não podem atender ao público que tem convênios médicos. Podem, mas subsidiariamente, mantendo o atendimeno aos pacientes do SUS nos hospitais públicos como principal, como o prioritário.
Esta privatização tucana, em particular, tem outro aspecto que precisa ser analisado: a área em que se dará, a de ampliação do atendimento a paciente particular dos planos médicos, nunca pagou a totalidade do que deve a rede pública de saúde.
Entrou com ação na Justiça desde 1998, quando foi feita a lei obrigando-a a ressarcir a rede pelo atendimento de seus clientes e, desde então, há 13 anos, para não pagar, protela o andamento do processo judicial em cada instância a que ele chega (vejam, também, Serra é acusado de destruir projeto de educação).