Rio de Janeiro, 11 de Setembro de 2026

Alckmin considera grave denúncias de desvio de verbas de plantões médicos em hospitais do estado

Segunda, 20 de Junho de 2011 às 14:00, por: CdB

Bruno Bocchini

Repórter da Agência Brasil

 

São Paulo – O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, afirmou hoje (20) que considera grave as denúncias de desvio de verbas de plantões médicos e determinou auditorias em todos os hospitais estaduais. “A denúncia é grave, é evidente. Tudo que envolve dinheiro público não se pode aceitar desperdício de um centavo. É transparência absoluta. Já está demitido, já está substituído. Todos os que malversaram o dinheiro público responder [pelo crime que cometeram]”, disse.

O coordenador de Serviços de Saúde do Estado de São Paulo, Ricardo Tardelli, e o secretário estadual de Esporte, Lazer e Turismo, Jorge Pagura, pediram demissão após as denúncias de existência de um esquema que fraudava licitações e os pagamentos de plantões médicos em hospitais estaduais.

Pagura nega participação no caso. Ele afirma que pediu demissão para facilitar o esclarecimento dos fatos pelo Ministério Público e pela Corregedoria-Geral da Administração. O pedido de demissão, feito na última sexta-feira (17), foi aceito pelo governador Geraldo Alckmin.

Tardelli, que pediu demissão hoje (20), também nega ter conhecimento das fraudes. Segundo a Secretaria de Saúde, ele pediu desligamento do cargo para permitir mais transparência às investigações.

“O governo já tinha detectado há um ano e meio atrás irregularidades na questão do pagamento de plantões e horas extras. Abriu uma sindicância e a encaminhou ao Ministério Público. O Ministério Público fez as escutas telefônicas, apurou os fatos, prendeu as pessoas que cometiam delito e elas todas responderão a um processo civil e criminal”, disse o governador.

Alckmin afirmou ainda que Jorge Pagura, apesar ter sido secretário de seu governo, não recebia salário do governo do estado. “Ele não é funcionário do estado, não recebeu nenhum centavo, não participou de nenhuma licitação”.

De acordo com o Ministério Público, a organização criminosa, que era chefiada pelo ex-diretor do Conjunto Hospitalar de Sorocaba, Ricardo José Salim, desviava verbas destinadas ao pagamento de plantões a servidores do hospital, direcionando-as para beneficiários que não cumpriam suas jornadas de trabalho. As investigações também revelaram a existência de funcionários fantasmas, falsificações, estelionato e fraudes em licitações, com o favorecimento e o direcionamento dos certames.

Os suspeitos, se condenados, vão responder pelos crimes de peculato, formação de quadrilha, crimes em licitação, quebra de sigilo da lei de interceptação, tráfico de influência e falsificação de documentos públicos e particulares.

 

Edição: Aécio Amado

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