O que está acontecendo com a ALCA? A julgar pelo crescente repúdio dos movimentos sociais e populares deste lado do mundo, parece que vai morrer de um enfarto a qualquer momento. Mas desgraçadamente, a grande superpotência do Norte dedica todos os seus esforços para revivê-la, algumas vezes disfarçada de "faisão" e outras de "cordeirinho". Como adereço inventou os chamados tratados bilaterais, uma enganação para engolir às nações sem a sombra de terceiros.
Não há dúvidas de que a ALCA demonstrou uma surpreendente capacidade para mudar de pele como o camaleão e até fez-se passar por um bom lobinho que faz favores à inocente Chapeuzinho.
Mas ninguém se deixe enganar. Debaixo dessa "piedosa" vestimenta esconde-se o velho e manhoso coiote que busca a menor oportunidade para abrir a boca e tragar o menor dos pintos. Por essa razão, não são poucas as inteligências e energias que nesta "aldeia global" se opõem, cada vez com maior força, a um tubarão que aguarda a menor desatenção para devorar às sardinhas.
Já dizia um colega, há uns anos atrás, quando as sardinhas se reúnem, os tubarões ficam nervosos. E o melhor seria mandá-los para bem distante... ao império das "sete léguas" e a seus lacaios domésticos para ver se deixam que os excluídos/as possamos governar o mundo segundo a lei da vida e da justiça, respeitando à mãe natureza -que já está sofrendo bastante por causa dos experimentos nucleares, das armas biológicas, das bombas, das secas, da erosão, das mudanças climáticas, da desertificação e até do buraco na camada de ozônio- a ALCA, tem preparada sua estocada final, com o "conto de fadas" dos transgênicos e a privatização das reservas aqüíferas e naturais.
Mas o que pensam vocês! Não sabem que deste lado do planeta, desde o Rio Grande até a Patagônia, existem mais de quinhentos anos de sabedoria acumulados, que somos filhos do milho e da memória e não queremos hipotecar nossa esperança.
Por isso muitos amigos do continente se animam para chegar a este verde astuto das Antilhas e compartilhar, no IV Encontro Hemisférico de Luta contra a ALCA, um espaço que tenta criar alternativas, novas perspectivas de compromisso e maior coerência de ação no enfrentamento a um tubarão que não vai abandonar seu empenho de comer às sardinhas.
Os preparativos
De 27 a 30 de abril, se reunirão em Havana, pela quarta vez, organizações e movimentos sociais de todo o continente americano para discutir idéias e ações na sua luta para evitar a instauração de uma fase superior de dependência e exploração dos recursos de nossos povos com a aprovação da ALCA.
Representantes de diferentes redes, campanhas, organizações e movimentos sociais, indígenas, camponeses, de trabalhadores, mulheres, jovens e parlamentares da América Latina, assistirão, em 27 de abril, ao ato de abertura do evento que inclui um momento cultural e uma conferência inaugural. A partir de quinta-feira começarão os encontros temáticos: Guerra e Militarização. Bases Militares e Planos dos EUA, Cultura e Identidade, Agricultura e Soberania alimentar, Trabalhadores migrantes, Meio ambiente e diversidade, o escritório de Educação e combate à pobreza e a reunião de Campanhas contra os TLC na América Central e na região Andina.
Assim mesmo desenvolveram-se os encontros setoriais, a reunião de coordenação da Campanha Continental de Luta contra a ALCA, e os painéis: Situação atual dos acordos e propostas da União Européia e América Latina; Privatização e resistência: recursos naturais (água, energia, biodiversidade) e serviços básicos (educação, saúde, segurança social); Dívida Externa: 20 anos de luta e resistência; ALCA: situação atual do processo negociador. A OMC: Estratégia de luta de caras a Hong Kong, A campanha de luta dos povos; Em Defesa da Humanidade e Propostas e realidades: Comunidade Sul-americana de Nações e Alternativa Bolivariana para as Américas.