Ex-secretária de Estado americana, Madeleine Albright testemunhou contra a ex-presidente da República Sérvia da Bósnia, Biljana Plavsic, no Tribunal Criminal International para a Antiga Iugoslávia, em Haia, na Holanda. No início de seu depoimento, Albright comparou os horrores do conflito na Bósnia à Segunda Guerra Mundial. Albright - que era na época embaixadora dos Estados Unidos na ONU (Organização das Nações Unidas) - disse que ficava sabendo, quase que diariamente, de "pessoas sendo mantidas em ônibus, famílias separadas, milhares de pessoas forçadas a deixar suas casas". A nova audiência no caso de Plavsic começou na segunda-feira e deve terminar nesta quarta. Plavsic - que admitiu em 2001 ter perseguido sérvios muçulmanos e croatas - poderá ser condenada à prisão perpétua. Acordo de Dayton Albright defendeu Plavsic. Ela disse que, no final da guerra, Plavsic se separou dos líderes sérvios mais radicais e apoiou o acordo de paz de Dayton. "Ela foi o veículo que fez com que o acordo de Dayton fosse realizado", disse Albright. Na segunda-feira, em documento explicando a sua confissão, Plavisc, de 72 anos, admitiu ter acobertado crimes e ter "publicamente racionalizado e justificado a limpeza étnica de não-sérvios". Plavsic é a mais importante autoridade sérvia a admitir ter cometido um crime contra a humanidade. Tratamento desumano Também deverão testemunhar Carl Bildt, o primeiro enviado da comunidade internacional à Bósnia do pós-guerra, e Alex Boraine, ex-vice-presidente da Comissão para a Reconciliação e Verdade da África do Sul. Plavsic, a única mulher a ser julgada pelo Tribunal, era a vice do líder sérvio Radovan Karadzic durante o conflito. Karadzic ainda não foi preso e está no topo da lista da promotoria. Plavsic havia sido originalmente acusada de genocídio, perseguição, exterminação e deportação. Muitas das denúncias foram retiradas, no entanto, depois que ela se declarou culpada por perseguição. Os advogados de defesa de Plavsic afirmaram que a confissão mostra que o remorso dela é "total e incondicional". Na segunda-feira, o ganhador do Nobel da Paz, Elie Wiesel, deu seu testemunho de Paris, via videoconferência. Ele pediu aos juízes para levar em consideração "a dor e o sofrimento de todas as vítimas" do conflito da Bósnia na hora de decidir a sentença de Plavsic. Uma das primeiras testemunhas a prestar depoimento no caso foi um muçulmano sobrevivente de um campo de detenção controlado pelos sérvios. Ele descreveu o local como "desumano" e disse que as condições eram "realmente brutais". BMilosevic Plavsic disse que Radovan Karadzic e Slobodan Milosevic, então presidente sérvio, eram os planejadores da limpeza étnica. Ela afirmou ainda que os líderes bósnios da Sérvia sempre iam a Belgrado para "consultar, pedir orientação ou apoio de Milosevic". A informação, no entanto, pode não ajudar os promotores do julgamento de Milosevic, que tentam estabelecer uma conexão entre ele e a liderança bósnia. Isso porque Plavsic já afirmou que não irá testemunhar em outros julgamentos. Ainda não há data definida para o estabelecimento da sentença.
Albright ajuda acusação no julgamento de ex-presidente da antiga Iugoslávia
Ex-secretária de Estado americana, Madeleine Albright testemunhou contra a ex-presidente da República Sérvia da Bósnia, Biljana Plavsic, no Tribunal Criminal International para a Antiga Iugoslávia, em Haia, na Holanda. No início de seu depoimento, Albright comparou os horrores do conflito na Bósnia à Segunda Guerra Mundial. Milosevic era consultado antes de extermínios Plavsic disse que Radovan Karadzic e Slobodan Milosevic, então presidente sérvio, eram os planejadores da limpeza étnica. Ela afirmou ainda que os líderes bósnios da Sérvia sempre iam a Belgrado para "consultar, pedir orientação ou apoio de Milosevic". (Leia Mais)
Terça, 17 de Dezembro de 2002 às 10:42, por: CdB