A roqueira canadense Alanis Morissette não expôs seu seio nu como fez Janet Jackson, mas disse a que veio no domingo à noite, na entrega anual do Juno Awards, manifestando o desprezo que sente pelo que descreveu como ``a hipócrita censura norte-americana''.
Ao apresentar a cerimônia dos Juno Awards 2004, a versão canadense do Grammy, Morrissette tirou a roupa sobre o palco, aparecendo com uma segunda pele, completa com mamilos e pêlos púbicos de mentira.
Como parte da encenação, o diretor assistente do evento lhe disse que ``não podemos exibir mamilos nem pêlos púbicos na TV nacional''. Então a cantora nascida em Ottawa arrancou as partes de mentira.
Morissette disse que a encenação tinha como alvo as instituições governamentais dos Estados Unidos e sua reação excessiva à expressão cultural livre, em consequência do furor provocado pela gafe cometida por Janet Jackson durante o Super Bowl, quando o seio da cantora foi exposto a milhões de telespectadores.
``Como vocês talvez já saibam, ou talvez não, há pouco tempo, nos Estados Unidos, tive um probleminha ligado à letra de uma de minhas canções'', disse Morissette ao público de 17 mil pessoas.
Ela referia-se a seu lançamento mais recente, ``Everything'', que inclui o verso ``I can be an a--hole of the grandest kind'' (''posso ser uma c...... de primeira categoria'').
``Foi pedido que eu trocasse uma palavra no primeiro verso. Estou muito feliz de estar de volta a meu país, o verdadeiro Norte, forte e livre de censura.''
As estações de rádio norte-americanas ameaçaram recentemente proibir a canção, obrigando Morissette a mudar a palavra polêmica para ``nightmare'' (pesadelo).
Indagada, de brincadeira, se Janet Jackson deveria receber status de refugiada cultural no Canadá, Morissette respondeu: ''Está aí uma boa idéia''.
O maior vencedor dos Juno Awards 2004 foi o roqueiro de Montreal Sam Roberts, que levou para casa as menções de melhor artista do ano, melhor álbum do ano (''We Were Born in a Flame'') e melhor álbum de rock.
Outros vencedores incluíram a cantora pop Nelly Furtado (melhor single do ano por ``Powerless Say What You Want''), Sarah McLachlan (melhor compositora do ano), Michael Buble (melhor artista novo do ano) e Nickelback (melhor grupo do ano e favorito dos fãs).