Ele desconcertou os árabes com seu dicionário de insultos sem fim. E impressionou o Ocidente com sua defesa impassível do acossado regime de Saddam Hussein. O ministro da Informação do Iraque não aparece há dias - mas tampouco desapareceu. Na internet, os fãs - em número crescente, percebe-se - homenageiam o homem cujos xingamentos dirigidos aos inimigos incluíram desde o tradicional "infiéis" até o transado "superpotência de Al Capone". Os admiradores de Mohamed Said al-Sahaf montaram seu website - www.welovetheiraqiinformationminister.com - para se divertir coletando os mais memoráveis insultos que ele usou contra os Estados Unidos e a Grã-Bretanha. O primeiro servidor do site foi paralisado pela avalanche de acessos, disse uma mensagem postada no último sábado (12). A página teve de se mudar para um segundo servidor e o acesso melhorou. Com um sorriso cínico e armado de inglês e árabe fluentes, al-Sahaf encarou diariamente grupos de repórteres desde a intensificação da crise no Iraque. Ele negou alegações americanas e britânicas de que Bagdá possuiria armas de destruição em massa e teria ligações com o terrorismo. Mais tarde, ele descartou qualquer avanço das forças da coalizão depois que a guerra começou. Dia após dia, ele apareceu com novos insultos antiamericanos e anti-britânicos: "criminosos de guerra"; "brutos do colonialismo"; "gangue premeditada de vilões"; "burros selvagens". Foi esse tipo de criatividade que atraiu a atenção dos criadores do website, que agora se referem a ele, carinhosamente como "M.S.S.". "Esta página é um esforço de coalizão entre falcões sedentos de sangue e pombos inúteis, unidos pela admiração", escreveram os autores, que não responderam a e-mails pedindo comentários. Eles informam que al-Sahaf está atualmente em "licença administrativa" - um gentil eufemismo, dado que ninguém sabe onde ele está e sua condição. Al-Sahaf apareceu pela última vez na última terça-feira (8), um dia antes da queda de Bagdá, depois que um disparo de um tanque dos EUA atingiu o Hotel Palestina, que abrigava centenas de jornalistas. Na ocasião, al-Sahaf fez seus últimos comentários sobre as forças da coalizão: "Eles estão num estado de histeria e afobação. Pensam que, matando civis, vencerão. Estes vilões não vencerão". Seu paradeiro é desconhecido desde então - mas sua retórica não morreu. A página na internet dedica especial atenção ao que chama de "maiores sucessos de todos os tempos" de al-Sahaf. Entre eles: "Meus sentimentos são os de sempre: vamos massacrar todos eles", "Deus vai assar seus estômagos no inferno nas mãos dos iraquianos", "Vamos recebê-los com balas e sapatos", "Jogaremos aqueles malfeitores, aqueles mercenários, de volta ao pântano", "Eles começaram a cometer suicídio dentro dos muros de Bagdá. Vamos encorajá-los a se matar ainda mais rápido". O site também supõe o que ele poderia ter dito como ministro da Informação do lado perdedor em guerras anteriores (porta-voz confederado durante a Guerra Civil americana: "Os infiéis da União, como sempre, foram todos massacrados") e quem poderia fazer o papel dele no cinema (Ben Kingsley ou Jerry Orbach, de Lei e Ordem, entre outros). Os autores expressaram decepção com o fato de al-Sahaf não ter sido incluído no baralho lançado na última sexta-feira (11) pelos militares dos EUA para ajudar na captura de 55 personalidades do regime iraquiano procuradas pela coalizão. "Ficamos atônitos ao saber que ele não teve a sorte de ser homenageado com a inclusão de sua imagem cada vez mais popular no Bando da Morte", disseram eles. Numa seção de comentários, um visitante pediu "uma campanha urgente para poupar" al-Sahaf, descrevendo-o como "um bem universal demais" para ser morto ou julgado como criminoso de guerra. "As pessoas realmente adoraram vê-lo falar, independentemente do que ele dizia", afirmou Mai Hassan, um consultor de publicidade do Cairo. A página, disse ele, prova que al-Sahaf "teve bastante sucess
Al-Sahaf ganha fãs de seus insultos e página na internet
Domingo, 13 de Abril de 2003 às 13:25, por: CdB