O influente clérigo xiita iraquiano Murtada al-Sadr acusou a ONU de colaborar com os Estados Unidos na ocupação do Iraque e pediu que a organização internacional não intervenha nos assuntos internos de seu país.
- A Organização das Nações Unidas colaborou com a ocupação do Iraque. E isso não lhe dá o direito de interferir nos assuntos internos do país - disse Al-Sadr em uma entrevista publicada nesta terça-feira, pela agência oficial de notícias iraniana, Irna.
Al-Sadr considerou que duas organizações, uma pan-árabe e outra pan-islâmica, devem vigiar as próximas eleições no país, previstas para 2005. "As eleições deverão ser realizadas sob a supervisão da Organização da Conferência Islâmica (OCI) e da Liga Árabe, já que ambos os organismos permaneceram ao lado do Iraque", acrescentou.
O clérigo demonstrou também sua oposição a qualquer ato violento em resposta ao anúncio do secretário-geral da ONU, Kofi Annan, que assegurou na última semana que não será possível realizar eleições no Iraque antes que os EUA devolvam a soberania a um Governo de transição iraquiana, em 30 de junho.
- Estas ações (violentas) contradizem o Islã e o xiismo. Aqueles que participam de semelhantes atos são inimigos da verdade, porque não querem segurança nem estabilidade para o Iraque - sentenciou.
Perguntado sobre o estabelecimento no Iraque de um sistema federal, Al-Sadr disse que esta medida só levará à "divisão do país em diferentes áreas étnicas". "Oponho-me a este plano, que levará à divisão do Iraque. O país deve permanecer unido de norte a sul e de leste a oeste", acrescentou.
O clérigo xiita insistiu não reconhecer a autoridade do Conselho do Governo do Iraque, já que colabora com as forças de ocupação. Para que este organismo tenha sua aprovação, terá que abolir o veto que os EUA podem aplicar sobre qualquer decisão adotada pelo Conselho, e contar com a participação de outros partidos políticos, disse.