Rio de Janeiro, 16 de Fevereiro de 2026

Al Qaeda se reagrupa e volta ameaçar os Estados Unidos

Segunda, 10 de Setembro de 2007 às 10:00, por: CdB

No momento em que Osama Bin Laden volta a chamar a atenção do mundo, seis anos depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, a Al Qaeda dá trabalho aos militares norte-americanos no Iraque, enquanto se reagrupa para realizar outro ataque aos Estados Unidos, segundo especialistas.

Agências de inteligência dos EUA e outros analistas dizem que as melhorias na segurança interna e os esforços internacionais contra a Al Qaeda ajudaram a evitar outro grande ataque aos EUA, mas apenas por enquanto.

Para eles, a Al Qaeda está recuperando sua capacidade de atacar o Ocidente, e já cumpriu seu suposto objetivo de atrair os EUA para uma guerra, a do Iraque, capaz de abalar a influência norte-americana no Oriente Médio.

Além disso, o grupo de Osama Bin Laden também inspira células e simpatizantes que podem ser incapazes de agir na mesma magnitude do 11 de Setembro, mas mesmo assim conseguem matar e destruir.

- A Al Qaeda, embora mais fraca do que era no 11 de Setembro, está voltando a crescer - disse o secretário de Segurança Doméstica dos EUA, Michael Chertoff, em depoimento parlamentar na semana passada, ecoando uma estimativa oficial de inteligência feita em julho. - A América enfrenta uma ameaça continuada - declarou.

Como que lembrando sua capacidade de chamar a atenção mundial, Bin Laden divulgou na semana passada um vídeo alertando que os EUA continuam vulneráveis e que os norte-americanos só vão evitar a guerra caso se convertam ao islamismo.

Não houve ameaças explícitas, mas analistas dizem que a mensagem pode ser a conclamação a um novo ataque. Fran Townsend, consultor de Segurança Doméstica da Casa Branca, acredita, no entanto, que Bin Laden está virtualmente impotente.

Bin Laden conseguiu fugir da ocupação norte-americana do Afeganistão, logo depois do 11 de Setembro, e agências de inteligência dos EUA suspeitam que a Al Qaeda tenha se reconstruído na região da fronteira Afeganistão-Paquistão.

O presidente George W. Bush, que depois do 11 de Setembro declarara a intenção de capturar Bin Laden vivo ou morto, agora tem como principal foco a guerra do Iraque, que ele descreve como parte crucial da guerra ao terrorismo como um todo.

Isso pode ter vindo a calhar para o militante de origem saudita.

- Parte da estratégia de Bin Laden é nos fisgar em situações em que sangremos. O Iraque é um presente de Deus para a Al Qaeda. Mordemos a isca - disse o analista de segurança P.J. Crowley, do Centro para o Progresso Americano, uma entidade ideologicamente ligada aos democratas.

A guerra do Iraque facilitou a morte de norte-americanos pela Al Qaeda, por meio da sua subsidiária iraquiana, que é parte da insurgência antiamericana no país, segundo o professor da Universidade de Defesa Nacional Mike German, ex-agente de contra-terrorismo do FBI e atual consultor da União Americana das Liberdades Civis.

A guerra também criou uma causa para os radicais islâmicos, num momento em que Bin Laden perdia a mobilidade em seu santuário afegão.

- Nenhum conflito drena mais tempo, atenção, sangue, verba e apoio dos nossos esforços mundiais contra o terrorismo do que a guerra no Iraque. Ela se tornou uma poderosa ferramenta de recrutamento e treinamento para a Al Qaeda - disseram Thomas Kean e Lee Hamilton, presidentes da comissão do governo que investigou o 11 de Setembro, em artigo publicado no domingo pelo jornal Washington Post.

Entre supostos planos desbaratados neste ano pelos EUA estariam complôs para atacar o quartel Fort Dix (Nova Jersey) e o aeroporto John F. Kennedy, em Nova York. Ambos os planos foram atribuídos ao menos em parte a militantes islâmicos, mas nenhum foi vinculado à Al Qaeda.

Na semana passada, Alemanha e Dinamarca desmantelaram planos de atentados de supostos militantes ligados à Al Qaeda.

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