Rio de Janeiro, 13 de Janeiro de 2026

Al Qaeda lança ofensiva contra os próprios muçulmanos

Terça, 27 de Março de 2007 às 09:00, por: CdB

Supostos militantes da Al Qaeda mataram 21 pessoas, nesta terça-feira, em ataques que tinham como alvos tribos que participam de uma aliança contra a Al Qaeda, disseram autoridades. Os ataques aconteceram um dia depois de o embaixador norte-americano Zamay Khalilzad, que acaba de deixar o posto, ter declarado que a Al Qaeda está tentando atrapalhar o empenho do governo iraquiano em convencer líderes tribais e grupos insurgentes a colaborar no combate ao grupo radical.

No pior ataque, um suicida explodiu seu carro diante de um restaurante numa estrada importante ao norte de Ramadi, matando pelo menos 17 pessoas e ferindo 32, disse uma fonte do hospital de Ramadi. Tribos da área haviam entrado na aliança tribal para combater os militantes da Al Qaeda.

Mais cedo, quatro pessoas morreram em duas explosões em Abu Ghraib, a oeste de Bagdá. Um dos mortos era filho do líder tribal Thahir al-Dari, disse Ahmed al-Dulaimi, chefe do gabinete de imprensa da província de Anbar.

Entretanto, um parente disse que ele foi morto quando uma granada atingiu o carro em que ele estava. Parentes dos mortos culparam a Al Qaeda.

Dari é parente do líder da Associação de Acadêmicos Muçulmanos Sunitas, uma organização influente de clérigos linha dura. O líder havia se manifestado contra a aliança anti-Al Qaeda, mesmo fazendo parte da tribo.

O vice-premiê, Salam al-Zobaie, pertence à mesma tribo que Thahir al-Dari. Zobaye foi vítima de uma tentativa de assassinato na semana passada.

A adesão da Al Qaeda a uma linha mais radical do islamismo sunita e os assassinatos indiscriminados acabaram colocando o grupo em conflito com outras tribos sunitas de Anbar, que estão sendo vítimas de ataques suicidas em retaliação. O governo é dominado pelos xiitas, que são maioria no país. Os sunitas dominavam o Iraque na época de Saddam Hussein.

Um assessor de Zobaie disse que o autor do ataque contra o vice-premiê foi um de seus próprios seguranças, e afirmou que a tribo está dividida entre os que são leais ao governo e os que apoiam a Al Qaeda. Zobaie deveria receber alta do hospital ainda na terça-feira.

O embaixador norte-americano, que deixou o Iraque na segunda-feira, disse que autoridades dos EUA e do Iraque estavam em contato com grupos insurgentes sunitas e continuavam tentando incluí-los no processo político.

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