Rio de Janeiro, 06 de Agosto de 2026

Al Qaeda e europeus incitam revolta na Líbia, diz Gaddafi

O presidente da Líbia, Muammar Gaddafi, acusou "forças externas" de estarem fomentando os conflitos que estão ocorrendo no país. Em um discurso transmitido pela rede estatal de televisão, Gaddafi afirmou que os governos europeus e a rede Al Qaeda incitam a juventude da Líbia a aderir à revolta contra seu governo.

Quarta, 09 de Março de 2011 às 04:10, por: CdB
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O presidente da Líbia, Muammar Gaddafi, acusou "forças externas" de estarem fomentando os conflitos que estão ocorrendo no país. Em um discurso transmitido pela rede estatal de televisão, Gaddafi afirmou que os governos europeus e a rede Al Qaeda incitam a juventude da Líbia a aderir à revolta contra seu governo. O discurso de Gaddafi ocorre no momento em que forças leais ao governo avançam sobre áreas controladas por forças rebeldes. A cidade de Zawiya, que foi tomada por forças contrárias ao regime há duas semanas, sofre bombardeios e há relatos de que diversas pessoas morreram, vítimas das incursões aéreas. Tropas leais ao líder líbio miram agora no subúrbio de Zawiya e tentam retomar o controle da praça principal. Outro reduto da oposição, a cidade de Ras Lanuf, também sofreu pesados ataques aéreos. As incursões teriam deixado pelo menos 30 pessoas feridas. A oposição tenta encerrar o regime de 41 anos do coronel Gaddafi, que tomou o poder quando tinha apenas 27 anos de idade. O conflito entre forças leais ao regime e opositores matou mais de mil pessoas, segundo organizações não governamentais. Para a Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de 212 mil pessoas estão desabrigadas em decorrência dos combates. Líderes da oposição pedem a adoção de uma zona de exclusão aérea sobre a Líbia, a fim de impedir os ataques por ar. Mas a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, afirmou que a decisão de impor um bloqueio aéreo sobre a Líbia depende da ONU e não dos Estados Unidos. Zonas de exclusão aérea foram impostas sobre as regiões Sul e Norte do Iraque durante a primeira Guerra do Golfo, em 1991, e durante o conflito na Bósnia, de 1994 a 1995. O ministro das Relações Exteriores da Líbia, Musa Kusa, endossou as declarações do líder líbio. – Agora está claro que a França, a Grã-Bretanha e os Estados Unidos estão em contato com os dissidentes do Leste da Líbia. Isso significa que há uma conspiração para dividir a Líbia – afirmou Kusa. Ataque a oeste Forças leais a Gaddafi atacaram, nesta quarta-feira, os rebeldes que dominam a localidade de Zawiyah, no oeste da Líbia, cercando-os na praça principal com tanques e atiradores de elite, segundo relato de um morador e de um combatente rebelde. – Podemos ver os tanques. Os tanques estão em toda parte. Eles cercaram a praça com tanques e franco-atiradores. A situação não é tão boa. É muito assustador. Há muitos franco-atiradores – disse o combatente à agência inglesa de notícias Reuters, falando por telefone de Zawiyah, a cidade rebelde mais próxima da capital, Trípoli. Enquanto a comunidade internacional ainda hesita sobre como reagir à crise na Líbia, uma contra-ofensiva promovida por partidários do governo conteve o avanço dos rebeldes no leste e nas cidades de Zawiyah e Misrata, no oeste. O combatente rebelde de Zawiyah, chamado Ibrahim, disse que as forças leais a Gaddafi controlam a avenida principal e os subúrbios. As forças rebeldes ainda controlavam a praça, e o inimigo estava a cerca de 1,5 mil metros de distância, disse ele. Ibrahim contou ainda que há franco-atiradores do Exército no topo da maioria dos edifícios, disparando em quem se atreve a deixar suas casas. – Há muitos mortos e não se pode sequer enterrá-los. Zawiyah está deserta. Não há ninguém nas ruas. Nenhum animal, nem mesmo os pássaros no céu – disse ele. Um porta-voz do governo disse que os soldados controlam a maior parte de Zawiyah, mas que ainda há um pequeno grupo de combatentes rebeldes, "talvez 30 ou 40, escondendo-se nas ruas e no cemitério”. – Eles estão desesperados – disse o porta-voz em Trípoli. Os jornalistas estrangeiros foram impedidos de entrar Zawiyah, 50 quilômetros a oeste de Trípoli, e em outras cidades perto da capital sem escolta oficial. A euforia revolucionária parece ter diminuído. – As pessoas estão morrendo lá fora. As forças de Gaddafi têm foguetes e tanques. Está vendo isto aqui? Isto aqui não presta – disse à agência Abdel Salem Mohamed, de 21 anos, perto da cidade de Ras Lanuf, apontando para sua metralhadora leve. Bombardeios atingiram as posições rebeldes por trás da "terra de ninguém" no trecho de deserto entre Ras Lanuf e Jawad Bin, 550 quilômetros a leste de Trípoli. As cidades ficam a cerca de 60 quilômetros de distância entre si, na estrada estratégica ao longo da costa do Mar Mediterrâneo. As tropas governistas que haviam cercado a cidade rebelde de Misrata partiram na terça-feira, dirigindo a leste para Sirte, junto com reforços provenientes de Trípoli, segundo um morador. Já havia relatos anteriores de Sirte havia recebido reforços militares do sul.
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